SAFE MIND, dupla criada com Cooper B. Handy (AKA LUCY), vai editar o primeiro álbum, "CUTTING THE STONE", já este mês, dia 25, e as suas canções afastam-se substancialmente da pop electrónica soturna até aqui indissociável do produtor norte-americano.
A aventura paralela começou, no entanto, no disco mais recente dos Boy Harsher, "The Runner" (2019). Cooper B. Handy foi um dos convidados e dessa colaboração nasceu "Autonomy", um dos raros temas luminosos e orelhudos do duo formado em Savannah (e também um dos pontos altos do respectivo álbum). Da experiência resultaram outros encontros criativos entre Muller e aquele que se tornaria o vocalista da sua nova banda, em torno de canções que procuram soar "mais sinceras", descreve a dupla nas suas redes sociais.
De "6' Pole", primeira amostra revelada em 2024, à recente "Hold on to That", os SAFE MIND mantêm o gosto retro da música dos Boy Harsher, mas têm estado mais focados no início dos anos 90 do que em meados da década anterior.
Synth-pop contagiante com tempero baleárico que não dispensa guitarras ocasionais, tanto lembra alguns capítulos dos New Order como a fase áurea dos Happy Mondays e funciona especialmente bem em "STANDING ON AIR", single reluzente que segue as melhores pistas deixadas por "Autonomy".
O videoclip, dirigido por Guy Kozak (cúmplice habitual de Cooper B. Handy), reforça o lado soalheiro e, tal como a canção, parece saído directamente da era do VHS:
Embora tenha um percurso quase sempre associado à música para filmes, boa parte dela icónica (do "Batman" de Tim Burton aos Simpsons), DANNY ELFMAN aventurou-se no ano passado num segundo álbum a solo, "Big Mess", sucessor do muito distante "So-Lo", de 1984. Mas se na estreia em nome próprio explorava a new wave de forma tão singular e esquizóide como ao lado dos seus Oingo Boingo (banda que se manteve activa entre inícios dos anos 80 meados dos 90 e cujos elementos colaboraram nesse disco), no registo mais recente avançou para domínios mais abrasivos, com um rock musculado de contornos industriais.
Esse salto entre géneros saiu reforçado já este ano em "Bigger. Messier.", disco que junta remisturas (de Squarespusher, Xiu Xiu ou HEALTH) e colaborações (com Trent Reznor, Iggy Pop ou Blixa Bargeld), ambas a levar mais longe os horizontes da sua música - ainda que não abandone atmosferas quase tendencialmente assombradas.
Um dos pontos altos da segunda vida das canções de "Big Mess" é a releitura dos BOY HARSHER para "Happy", que troca a explosão do original por um ritmo mais dançável, com as guitarras estridentes a cederem a vez ao balanço irresistível dos sintetizadores (mas os arranjos de cordas da primeira versão continuam por lá). E desta vez Jae Matthews, a metade feminina da dupla norte-americana, partilha o protagonismo vocal com o autor (mais recentemente, a banda também partilhou o palco com o músico e não escondeu o entusiasmo).
Já conhecida desde o Verão, a remistura ganha agora um videoclip, não por acaso em vésperas do Halloween. Dominado por cheerleaders de pele azul em modo sorridente, desenha um imaginário à medida da obra tão sombria como delirante de ELFMAN: