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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Cansei de ser hype

 

O que é que as Cansei de Ser Sexy têm? Em 2013, pouco, dirão aqueles que olham para as brasileiras como uma gracinha esgotada num disco - o primeiro, homónimo, cuja versão internacional deu que falar em 2006. Mas quem as viu na noite desta terça-feira no TMN ao Vivo, em Lisboa, terá uma opinião diferente. Nem é preciso ter aderido a "Planta", (o aconselhável) quarto álbum e motivo do regresso aos palcos, para aceitar o convite para uma festa que Lovefoxxx e a sua turma montam como poucas. Já tinha sido assim na passagem anterior pela sala do Cais do Sodré, há dois anos, e se desta vez o público não respondeu em peso (antes pelo contrário), fez valer a máxima "poucos mas bons" - e ninguém parece ter dado esta quase hora e meia por perdida.

 

Ao contrário de outros concertos de boa memória, não houve balões nem confetti. O adereço mais vistoso resumiu-se a uma capa preta da vocalista, algures entre a indumentária de Madonna no videoclip de "Frozen" (o longo cabelo esvoaçante facilita a comparação) e os descontos de uma loja dos chineses. O fogo de vista de muitos espectáculos pop foi, aliás, dispensável quando o gozo da banda em estar ali era tão óbvio e teve ligação directa nas canções. E não há assim tantos catálogos de (boas) canções pegajosas como o das CSS, sejam as incontornáveis "Alala", "Music is My Hot Hot Sex" ou "Let's Make Love and Listen Death From Above", obviamente relembradas com a euforia expectável, sejam as não tão populares mas igualmente efervescentes "City Grrrl" ou "I Love You", dois dos pontos mais enérgicos, e por fim as recentes adições de "Planta". O novo disco teve mais protagonismo do que se esperaria num alinhamento a recusar o formato best of ou, na prática, a evitar concentrar-se no registo de estreia. Tanto melhor para "Honey", "Girlfriend" ou "Teenage Tiger Cat", que sem deitarem a sala abaixo foram bem acolhidas e mostraram que há razões para continuarmos a ouvir as meninas (em palco acompanhadas por um baterista).

 

Lovefoxxx, mais uma vez a mestre de cerimónias, mantém aquele ar quase infantil de quem não está nem aí, embora nunca consiga deixar de ser afável. Nem o facto de estar enjoada do jantar - culpa de um bacalhau com batatas "e muito azeite" - a impediu de se atirar ao público num crowdsurf perto do final, que acabaria por chegar no encore com "I've Seen You Drunk Girl" (mais Salt-N-Pepa do que Ke$ha), a dar dez a zero à versão gravada, e a muito pedida "Superafim", momento "show da Xuxa" e tesourinho repescado especialmente para os fãs portugueses. "Vê se me esquece, eu cansei"? Com concertos assim o sentimento nunca será recíproco, Lovefoxxx...

 

 

Foto @Rita Sousa Vieira/SAPO On The Hop


Enfim sós

 

Embora tenham editado o terceiro álbum, "Bent", no ano passado, os SSION acabaram por ganhar mais destaque através de "City Grrrl", colaboração com os Cansei de Ser Sexy (e um dos melhores momentos de "La Liberación") cujo videoclip foi realizado por Cody Critcheloe, vocalista e mentor do projecto norte-americano (que também já assinou vídeos para Peaches, Gossip, Liars ou Santigold).

 

Se ao lado de Lovefoxxx a banda mostrava saber fazer uma festa, o seu disco confirma que consegue dar conta do recado sem ela, com uma pop electrónica dançável e despretensiosa a meio caminho entre uns Hot Chip, Scissor Sisters ou Fischerspooner. É o que acontece em "Earthquake", o novo single, com um videoclip simultaneamente surreal e sobrenatural: