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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quando a selecção brasileira se junta à argentina

América Latina a dar cartas no QUEER LISBOA: "Azougue Nazaré", "Marilyn" e "O Orfão" foram três das grandes surpresas do festival que está no Cinema São Jorge e na Cinemateca até dia 22.

 

Azougue Nazaré

 

"AZOUGUE NAZARÉ", de Tiago Melo: Qualquer semelhança entre este filme e "O Som ao Redor" ou "Boi Neon" não será pura coincidência, uma vez que o seu autor já colaborou com Kleber Mendonça Filho e Gabriel Mascaro antes de se aventurar nas longas-metragens. E tal como eles, junta-se à lista de nomes a acompanhar no cinema brasileiro recente graças a uma tapeçaria formal que combina traços do documentário (por onde Tiago Melo também já passou), do musical (nas sequências inventivas e delirantes com uma espécie de desgarrada no café) ou até do terror (ou pelo menos de um fantástico tribal q.b.), partindo do retrato, em mosaico, de uma pequena comunidade pernambucana. Se enquanto estudo de personagens há talvez demasiadas pontas soltas, o protagonista é um achado: Catita Daiana, encarnado pelo actor amador Vladimir do Côco, dá a volta a lugares comuns sobre o travestismo com um à vontade e desbragamento que o levam a roubar todas as cenas em que entra. Esta figura, como todas as outras, entrega-se a rituais religiosos ao pagãos como escape para um quotidiano onde a solidão parece ganhar espaço ao amor. Mas o antídoto serve-se nas várias celebrações - da tradição maracatu e carnavalesca à igreja evangélica, não esquecendo o futebol - com diferentes formas de comunhão, às vezes conflituosas entre si, que o realizador coloca em cena de forma simultaneamente crítica e bem humorada - sempre integrada num filme com um sentido atmosférico invulgar e ADN inequivocamente brasileiro.

 

3,5/5

 

Marilyn

 

"MARILYN", de Martín Rodríguez Redondo: No papel, não há grandes novidades neste relato da homofobia na Argentina rural, até por ser baseado num caso verídico que envolveu um duplo homicídio. Só que esta primeira incursão nas longas-metragens está longe de ser só mais uma, muito por culpa de uma abordagem comedida e contemplativa, à imagem do protagonista. Marcos, um adolescente alvo de violência física e psicológica desde que a sua sexualidade começa a despontar, de forma demasiado visível e pouco condizente com parâmetros heteronormativos, vai vendo a sua identidade continuamente silenciada e anulada tanto pela comunidade como pela família, num jogo de pressões sociais e económicas que revela um olhar mais amplo do que parece à partida. Mas embora pudesse ser facilmente reduzido ao papel de vítima, o protagonista, embora de poucas palavras, tenta fazer valer a sua voz de modo tão contido como incisivo, num jogo de forças que Rodríguez Redondo desenha sem floreados dramáticos - e aí é de louvar a secura da banda sonora e o trabalho de som minucioso de alguns momentos mais duros. Pacientemente, o realizador vai compondo o cenário de angústia e inadaptação extremas, ancorado no desempenho comovente de Walter Rodríguez e de alguns secundários de excepção - torna-se difícil não mencionar Catalina Saavedra num difícil e ingrato papel de mãe "monstruosa", mas também ela esmagada por um contexto opressor e sem grandes possibilidades de fuga. Valente grito surdo, este.

 

 4/5

 

O Orfão

 

 "O ORFÃO", de Carolina Markowicz: A realizadora brasileira não precisa de mais de 15 minutos para dizer mais do que muitos dizem em longas-metragens. E além de ser concisa, sabe escolher o tom certo para acompanhar a rotina de um adolescente, entre o orfanato e (mais) um processo de adopção conturbado, sem se limitar às boas intenções do filme de denúncia e realismo social. "O ORFÃO" é melancólico ao dar conta da pressão emocional do protagonista, mas sobressai pela forma como injecta humor até nos momentos que se antecipariam como dramáticos, sem trair as personagens. A direcção de actores também ajuda, com destaque para o actor principal: Kauan Alvarenga é plenamente convincente ao servir-se do sarcasmo para camuflar a solidão, na pele de um protagonista que não abdica de uma exuberância natural mesmo quando é consecutivamente rejeitado. "O ORFÃO", no entanto, é uma pequena surpresa para acolher de braços abertos - como Cannes soube acolher com o prémio de Queer Palm para curta-metragem na edição deste ano.

 

 3,5/5

 

O corpo é que paga

Três filmes, três olhares sobre o corpo - e as suas limitações e possibilidades - já vistos por estes dias no QUEER LISBOA, a decorrer no Cinema São Jorge e na Cinemateca: "Girl", "It Is Not the Pornographer That Is Perverse" e "Sauvage".

 

Girl

 

"GIRL", de Lukas Dhont: E se o corpo não aguentar? Esta é a pergunta que o realizador belga vai deixando e sublinhando na sua primeira longa-metragem, retrato implacável mas também terno de uma adolescente transexual que lida com os vários passos da mudança de sexo enquanto persegue, de forma cada vez mais obsessiva, o sonho de se tornar bailarina profissional. "Girl" é bastante hábil e fugir a lugares comuns de relatos de marginalização, ao dar conta de um ambiente familiar e, em boa parte, escolar, que pouco tem de opressivo. O principal entrave de jornada de Lara acaba por ser ela mesma, numa constante fuga para a frente que vai dinamitando o seu quotidiano e o seu corpo. Victor Polster tem um desempenho impressionante ao combinar determinação e fragilidade no papel protagonista, com uma ambiguidade que escapa à vitimização, embora o argumento ameace resvalar para o jogo de massacre - sobretudo nas cenas repetitivas e desnorteantes das aulas de ballet, com direito a câmara epiléptica, num contraste com a graciosidade de outros momentos. O final, demasiado telegrafado e a aproximar-se do filme-choque, reforça essa tendência, e é pena: "Girl" não precisava de malabarismos desses quando oferece um retrato tão emocionalmente rico e depurado durante grande parte do tempo.

 

3/5

 

It Is Not the Pornographer That Is Perverse

 

"IT IS NOT THE PORNOGRAPHER THAT IS PERVERSE...", de Bruce LaBruce: Nome habitual na programação do Queer Lisboa, o realizador canadiano viu o seu mais recente filme integrado na secção Hard Nights, a mais sexualmente explícita do festival. Mas como noutras obras suas, a pornografia (gay) é apenas um meio para que o humor e a provocação se instalem, aqui de forma narrativamente mais concentrada: em vez das longas-metragens de outras edições, esta proposta junta quatro curtas (que partilham alguns actores e personagens) e há duas especialmente certeiras. A primeira, "Diablo in Madrid", é um devaneio sobre a luta entre a contenção e a entrega ao prazer, partindo das tentações de um diabo exibicionista num cemitério - que acaba a dominar um anjo da guarda com a benção de "santo" Almodóvar, quase numa actualização (mais crua e titilante) dos dias da movida madrilena. A terceira, "Purple Army Fiction", consideravelmente mais agressiva mas sem perder o sentido de humor, é uma resposta à homofobia e ao policiamento de comportamentos, que inverte os códigos heteronormativos enquanto dispara tantos slogans (alguns hilariantes) como fluidos numa distopia irónica - e afirma-se como descendente de "The Raspberry Reich", de 2004. No processo, converte à causa dos soldados protagonistas o civil François Sagat, da mesma forma que outra estrela porno, Colby Keller, acaba rendido ao diabo na primeira curta ou a um jovem motorista na segunda, "Uber Menschen", provavelmente o mais próximo que LaBruce já esteve da comédia romântica. Mas essa acaba por ser uma experiência menos desbragada, tal como a última curta-metragem, "Fleapit", cujo surto de desejo numa sala de cinema parece menos idossincrático. Compilação curiosa, ainda assim...

 

2,5/5

 

Sauvage

 

"SAUVAGE", de Camille Vidal-Naquet: De tentações moralistas ao mergulho no miserabilismo ou em cenários escabrosos, o retrato de um prostituto que vive na rua sem considerar alternativas pode ser logo campo minado, sobretudo numa primeira longa-metragem. Mas um dos trunfos deste drama realista é a forma como o realizador francês respeita a natureza da personagem que acompanha, até às últimas consequências, mesmo que com sugestões de eventuais cedências pelo meio. E consegue-o com uma segurança pouco habitual tendo em conta que é a sua estreia nas longas-metragens (depois de três curtas), deixando um olhar justo sobre o dia-a-dia de Leo - muitas vezes (inevitavelmente) áspero, é certo, mas com momentos de descompressão e de cumplicidade que lhe vão dando algum alento. Elemento decisivo, a interpretação de Félix Maritaud atinge um patamar que dificilmente se adivinharia em "120 Batimentos por Minuto", do qual o actor francês foi uma da revelações. Vidal-Naquet coloca o protagonista à beira do precipício, mas também o mostra a jogar com as suas próprias regras mesmo que sinta as consequências dessa opção na pele enquanto o mundo o deixa à margem. Tal como Leo, o realizador recusa refugiar-se no cinismo, não facilitando a vida ao espectador - que se vê aqui imerso numa narrativa tão livre como a personagem. E nem o facto de a jornada lembrar a espaços as de outros jovens prostitutos no cinema (de "Não Dou Beijos", de André Techiné, a "Mysterious Skin", de Gregg Araki) compromete muito a intensidade deste realismo selvagem.

 

3,5/5

 

Queer Lisboa: cinco filmes para deixar o quarto arrumado e sair para as noites bravas

Sauvage 2018

 

Entre "Diamantino" e "Bixa Travesty" vão passar pelo Cinema São Jorge e pela Cinemateca mais de 100 filmes, a partir desta sexta-feira e até dia 22, em mais uma edição do QUEER LISBOA. No 22º ano, o Festival Internacional de Cinema Queer tem o VIH/SIDA ou as migrações entre os temas principais, dedicando uma nova secção ao primeiro (o vírus-cinema) e tendo a crise dos refugiados bem presente em várias apostas de curtas e longas-metragens ou documentários.

 

De regresso estão também as secções Queer Art, Hard Nights ou Queer Pop, esta última a destacar Janelle Monáe, The Knife/Fever Ray e o Festival da Eurovisão. George Michael também vai ser relembrado, numa secção centrada na moda, com o documentário "George Michael: Freedom - Director's Cut", assinado pelo próprio e por David Austin, e ainda haverá música fora da sala nas festas em espaços como o Titanic Sur Mer ou o Corvo (algumas de entrada livre).

 

O muito falado "Diamantino", de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, filme português aplaudido no circuito internacional dos festivais (e que conta com Cristiano Ronaldo entre as maiores inspirações) tem honras de abertura, esta sexta-feira, às 22h00, no Cinema São Jorge. O encerramento fica a cargo de "Bixa Travesty", documentário de Claudia Priscilla e Kiko Goifman sobre a cantora trans Linn da Quebrada, um dos nomes em ascensão do funk brasileiro recente - e do activismo LGBTQ+ de São Paulo e arredores.

 

Pelo meio, não faltam títulos de mais de 30 países que prometem desafiar formatos e sensibilidades - e que estão longe de se esgotar no mote boy meets boy ou girl meets girl, mais dominante noutros tempos. Estes cinco, por exemplo, podem ser um bom ponto de partida:

 

Girl

 

"GIRL", de Lukas Dhont: A estreia do realizador belga nas longas-metragens, depois de experiências nas curtas ou no documentário, tem tido um percurso invejável em festivais, com destaque para os quatro prémios arrecadados na edição deste ano de Cannes. Mas além da realização, muitos elogios dirigem-se à jovem actriz Victor Polster, na pele de uma adolescente transgénero que sonha ser bailarina profissional. Se a premissa, a juntar um relato coming of age a uma história de superação da adversidade, poderá parecer demasiado reconhecível, não falta quem garanta que este drama contido é capaz de se desviar para territórios inesperados, tanto a nível narrativo como emocional. É bem capaz de estar aqui uma forte candidata a Melhor Longa-Metragem deste ano.

 

Marilyn

 

"MARILYN", de Martín Rodríguez Redondo: Os relatos de homofobia, sobretudo tendo uma pequena comunidade como palco, estão longe de ser uma novidade no festival e, por extensão, no cinema queer. Mas isso não demoveu o realizador argentino, cuja primeira longa-metragem foi uma das surpresas da programação de Berlim este ano ao acompanhar o quotidiano de um rapaz que trabalha numa quinta - e que só sente estar confortável na sua pele ao sair da casa da família para os festejos do Carnaval. A forma como o filme se esquiva à vitimização e o desempenho do actor principal, a revelação Walter Rodríguez, têm estado entre os motivos para não deixar passar uma das obras em competição no Queer Lisboa.

 

Les Nuits Fauves

 

"NOITES BRAVAS", de Cyril Collard: Embora "Kids", de Larry Lark, seja à partida o filme mais sonante da secção inédita dedicada ao VIH/SIDA no cinema, vale muito a pena (re)descobrir uma das obras mais promissoras de início dos anos 90. E também das mais frustrantes, uma vez que foi a primeira e última longa-metragem do realizador, actor, escritor e músico Cyril Collard, que morreu em 1993 (um ano depois da estreia), vítima de HIV. O vírus contamina também este drama urbano e nocturno protagonizado pelo próprio realizador e no qual será difícil não encontrar traços autobiográficos, num retrato implacável da solidão e de uma sexualidade avessa a rótulos. Algo esquecido, o filme ainda vai continuando a ter eco, pelo menos em alguns círculos - antes de ser repescado nesta edição do Queer Lisboa, foi a maior inspiração para uma das melhores bandas francesas recentes.

 

Room for a Man

 

"ROOM FOR A MAN", de Anthony Chidiac: O novo documentário do jovem realizador libanês surgiu como resposta ao retrato estereotipado dos homossexuais, apontado como o predominante no seu país. E Chidiac parte da remodelação do seu próprio quarto, num apartamento de Beirute, para uma reflexão sobre a identidade e a masculinidade que procura um olhar realista. "Não lhe coloco o rótulo de filme gay. A discriminação pode afectar todos, incluindo sírios, refugiados e muitos mais. É para todos os que estejam a lidar com a discriminação na sociedade", assinalou quando passou pelo Malmö Arab Film Festival, festival árabe decorrido na Suécia. E deixou a porta aberta a quem quiser entrar no seu dia-a-dia, contado na primeira pessoa.

 

Sauvage

 

"SAUVAGE", de Camille Vidal-Naquet: De "Não Dou Beijos", de André Téchiné, a "Garçon Stupide", de Lionel Baier, já vão sendo alguns os filmes sobre prostitutos que passaram pelo Queer Lisboa em mais de 20 anos. Mas ainda há variações possíveis, como parece ser o caso deste drama aclamado na edição mais recente de Cannes, que segue os serviços e outros encontros de um rapaz de 22 anos. Protagonizado por Félix Maritaud, visto recentemente em "120 Batimentos por Minuto", de Robin Campillo, ou "Un couteau dans le coeur", de Yann Gonzalez, a primeira longa-metragem de Camille Vidal-Naquet tem gerado fascínio pela combinação de crueza dramática e efeito sensorial, sem se esgotar no desespero. E ajuda a sugerir que a secção competitiva do Queer Lisboa é especialmente promissora este ano.

 

E viveram infelizes para sempre...

Michael Haneke mantém-se igual a si próprio em "HAPPY END". Talvez demasiado, com uma nova crónica cínica e amargurada sobre as relações humanas - as familiares em particular - que se revela mais intrigante pela forma do que pelo conteúdo.

 

Happy End

 

Desde a estreia no Festival de Cannes de 2017, o mais recente filme de Michael Haneke tem sido muitas vezes apontado como uma mera revisitação dos temas e abordagens habituais do realizador austríaco, sem grandes viragens. E ao ver "HAPPY END", torna-se difícil não partilhar dessa sensação de reconhecimento, com pouco espaço para mudanças de foco.


Não é necessariamente um problema quando este drama sobre uma família burguesa é servido por um elenco confiável e apresentado com as doses de distanciamento e provocação habituais no cineasta. Mas se a teia de segredos e mentiras é moldada com algum engenho, o resultado final não é tão contundente nem corrosivo como insinua - nem como talvez fosse legítimo esperar.

 

Happy End 3

 

Tendo Calais como cenário, "HAPPY END" não deixa de evocar a crise dos refugiados que tornam a cidade francesa especialmente destacada em noticiários, embora mergulhe mais a fundo na dinâmica da classe alta, concentrando-se no jogo de máscaras do clã Laurent - cuja estabilidade financeira contrasta com a aridez do plano afectivo.


"HAPPY END" também poderia chamar-se "Beleza Francesa", pela fachada de felicidade familiar de cartão postal que marca a imagem pública da família protagonista. Mas não só este conceito está longe de ser uma novidade como Haneke raramente traz grandes variações à fórmula.


O realizador mostra-se mais hábil a conduzir as várias rotinas do patriarca, filhos ou netos do que propriamente a dar espessura às suas personagens. Nem actores como Isabelle Huppert ou Mathieu Kassovitz chegam a afastar a ideia de que há aqui mais caricaturas do que figuras de corpo inteiro, até porque às vezes, e como em grande parte da sua obra, Haneke parece mais interessado em explorar a dimensão formal do que a emocional (com a sua câmara a entrecruzar-se com conversas no Facebook, vídeos do Youtube ou filmagens amadoras da protagonista mais jovem, numa montra mais eficaz do que surpreendente da fusão do real com o virtual).

 

Happy End 2

 

A conjugação de formatos tecnológicos como motor narrativo também dá conta do quotidiano insistentemente alienado e solitário das personagens, que Haneke segue de forma clínica e com acessos de humor negro. E ao apontar o individualismo exacerbado, a hipocrisia ou a falta de comunicação, deixa mais um retrato pessimista das relações humanas.

 

Só que é pena que figuras como a do filho da personagem de Huppert sejam apenas meios para atingir esse fim, limitações que até se tornam mais evidentes nos casos em que o argumento acerta. E aí brilham o veterano Jean-Louis Trintignant (depois de protagonizar "Amor") na pele do patriarca que já não espera um final feliz (só mesmo um final, a qualquer custo) e a revelação Fantine Harduin, a pequena neta obrigada a crescer à força e sem alicerces morais. A jovem actriz revela uma maturidade pouco habitual no embate com o veterano e as sequências que acompanham as conversas entre os dois, na segunda metade do filme, dão pistas do patamar superior para o qual "HAPPY END" ameaça saltar. Fica a meio caminho, mas o resultado, não sendo dos mais memoráveis de Haneke, também está longe de ser infeliz...

 

 3/5