Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Quando as influências não pecam por excesso

Automatic-Press-Photo-1-credit-Logan-White.jpg

Quem juntasse o baixo dos New Order, os sintetizadores de Gary Numan e o minimalismo dos Suicide talvez não andasse muito longe da música das AUTOMATIC. O nome da banda californiana, contudo, partiu da canção homónima das The GoGo's, cujo sentimento de solidão numa grande metrópole, com sugestões sci-fi, também percorreu o álbum de estreia do trio - "Signal", editado em 2019.

Uma versão recomendável do clássico "Mind Your Own Business", das Delta 5, ajudou a situar o grupo entre os descendentes da new wave (com desvios ocasionais para o krautrock), ainda que explore essa herança num regime de baixa voltagem quando comparado à nova geração pós-punk do outro lado do Atlântico (caso dos Idles, para quem já abriu concertos, Fontaines D.C. ou Porridge Radio). E o facto de Lola Dompé, a baterista, ser filha de Kevin Haskins, dos Bauhaus e Love and Rockets, é bem capaz de ter ajudado a reforçar essa escola.

Excess.jpg

O gosto por canções curtas, precisas, hipnóticas e entoadas a três vozes (em modo lacónico) revelado no primeiro disco parece manter-se no sucessor, mesmo que o título sugira o contrário. "Excess", que chega já esta sexta-feira, 24 de Junho, inspira-se na transição da cultura underground dos anos 70 para o mainstream dos anos 80, com o braço de ferro entre o desafio da transgressão e o triunfo do consumismo a fazer-se notar já em parte das letras e videoclips dos primeiros singles.

Entre ambientes retrofuturistas ou a paz armada de um quotidiano no escritório, as imagens de "NEW BEGINNING", "VENUS HOUR" e "SKYSCRAPER" sublinham o humor seco que também passa por uma música capaz de dosear referências sem ficar refém delas. Pode estar aqui uma das surpresas deste Verão, mesmo que não seja necessariamente um disco de praia:

Ele está de volta e vai passar por Portugal

THE-SOFT-MOON-photo-2-Matteo-Nazzari.jpg

Já lá vão quatro anos desde que Luis Vasquez editou "Criminal", o quarto álbum do seu projecto a solo THE SOFT MOON, embora em 2021 tenha iniciado um caminho paralelo com "A Body of Errors", disco que assinou com o seu próprio nome. O próximo longa-duração, no entanto, retoma o percurso principal, chama-se "Exister" e foi anunciado para 23 de Setembro.

O californiano de raízes afro-cubanas avança nas redes sociais que este é um disco de viragem, marcado pela mudança e pelo crescimento, e ao qual se entregou como a nenhum outro. Também já divulgada, a digressão europeia passa por Portugal, numa data única, a 12 de Outubro, no LAV, Lisboa ao Vivo. Tendo em conta que "Criminal" foi muito bem defendido por cá em 2018, num concerto intenso no RCA Club, o regresso é uma óptima notícia, sobretudo quando o novo single mantém a intensidade.

Colaboração com o norte-americano fish narc, "HIM" volta a contar com os ingredientes que ajudaram a tornar Vasquez um nome a seguir em territórios darkwave, industriais e EBM, numa marcha sinuosa, críptica e atmosférica que facilmente tomará conta de um palco. Até lá, sigamos o seu autor no videoclip:

Regressar a partir do lado lunar

Pixies.jpg

O mundo precisa de mais um álbum dos PIXIES? Tendo em conta que os discos da segunda vida dos norte-americanos (ou seja, desde "Indie City", de 2014) contaram com alinhamentos e recepção bastante mais mornos do que os quatro primeiros (para uma imensa minoria, nada menos do que lendários), um novo capítulo não será dos mais prioritários. Mas nestas coisas, nada como esperar para ouvir...

Até porque o primeiro single, "THERE'S A MOON ON", ouve-se muito bem, mesmo não acrescentando nada a um percurso decisivo para definir o que se entende (ou que se entendeu em tempos) como rock alternativo. Talvez também nem se pudesse esperar mais dos PIXIES em 2022, por isso saúde-se o refrão forte, o tom sempre insolente e ansioso de Frank Black ou até o absurdo de letras que, de qualquer forma, nunca foram muito inteligíveis (esta versa sobre o tédio da rotina, noites de lua cheia ou... temperos de bifes).

Provavelmente soaria melhor com arestas menos polidas pela produção (uma escolha a manter, já que o grupo avançou que o álbum será mais orquestral e com arranjos mais convencionais), provavelmente vai soar melhor ao vivo. Mas enquanto aperitivo para "Doggerel", o oitavo longa-duração do quarteto, agendado para 30 de Setembro, não deixa de cumprir o seu papel: