Da pop electrónica ao paraíso vai um disco

Numa altura em que celebram os 20 anos de "Witching Hour", álbum superlativo numa discografia sempre consistente, os LADYTRON anunciam também o seu oitavo longa-duração.
"PARADISES" está agendado para 20 de Março de 2026 e será o primeiro da banda de Liverpool sem Reuben Wu, que abandonou o então quarteto em 2023 para se dedicar ao percurso de artista multidisciplinar (com especial ênfase na fotografia).
Mas a ausência de um membro de uma formação imutável desde o "604" (2001), não é a única particularidade deste capítulo. Daniel Hunt, principal compositor do grupo e produtor do álbum (ao lado do cúmplice habitual Jim Abbiss), aponta este como o conjunto de canções mais assente nas heranças disco - "embora disco tenha um significado ligeiramente diferente no nosso contexto", ressalva nas declarações iniciais partilhadas online.

Tanto o britânico como as colegas Helen Marnie e Mira Aroyo sublinham a vertente particularmente lúdica das gravações (decorridas em Liverpool, São Paulo, Montrose, Dalston e Londres), que ajudou a tornar "PARADISES" num álbum refrescante, apresentado como uma "colagem luminosa" de "primitivismo tecnológico, soul espectral e noir baleárico".
Mas nada como o ouvir, e três dos 16 (!) temas já são conhecidos. "I BELIEVE IN YOU", o primeiro single, trouxe uma inesperada aproximação à acid house que o mais recente "KINDOM UNDERSEA" reforça com um acréscimo de beleza etérea. Já "I SEE RED" segue modelos electro reconhecíveis neste percurso, mas com uma alta voltagem que finta uma veterania acomodada. Boas notícias depois de "Time's Arrow" (2023), o disco anterior, ter sido o menos essencial de uma obra sem grandes paralelos na pop electónica dos últimos 25 anos.
