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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Mais uma voltinha, mais uma viagem

Orbital 2018

 

Depois da separação, a reunião... A tendência não é nova, mas nos últimos anos tem sido seguida por muitas bandas da década de 90. Que o digam os ORBITAL, que se separaram no início do milénio para voltarem a juntar-se em 2009, antes de darem o projecto por terminado, mais uma vez, em 2014.

 

No ano passado, o regresso dos irmãos Phil e Paul Hartnoll aos palcos já dava a entender que deveria haver mais música nova a caminho e a confirmação chegou agora, com o anúncio de um álbum. "Monsters Exist", o nono disco de originais no percurso dos britânicos, sucede ao aconselhável (mas algo ignorado) "Wonky" (2012) e tem edição prevista para 14 de Setembro.

 

 

"TINY FOLDABLE CITIES" é a primeira amostra e mantém-se próxima de singles do registo antecessor ("Never" ou "Straight Sun"), com um novelo instrumental de contornos electrónicos e um apelo rítmico assinalável. Não sendo tema para juntar a clássicos da geração MTV na linha de "The Box", deixa vontade de ouvir o que aí vem. E para muitos fãs nem vai ser preciso esperar pelo álbum, tendo em conta que a dupla já tem datas agendadas para vários palcos europeus ao longo do Verão (os portugueses, para não variar, parecem ficar de fora). Para já, podemos ir vendo o novo videoclip e a capa do disco:

 

Orbital - Monsters Exist

 

Alinhamento de "Monsters Exist":

1 – ‘Monsters Exist’
2 – ‘Hoo Hoo Ha Ha’
3 – ‘The Raid’
4 – ‘P.H.U.K.’
5 – ‘Tiny Foldable Cities’
6 – ‘Buried Deep Within’
7 – ‘Vision One’
8 – ‘The End Is Nigh’
9 – ‘There Will Come A Time’ (feat. Brian Cox)

De pós-apocalípticos a meninos de coro

 The Presets

 

Já passaram dez anos desde que os PRESETS editaram "Apocalypso", o segundo álbum da dupla e talvez o melhor (e o mais vertiginoso) de uma geração de bandas australianas que se especializaram em pop electrónica dançável no início do milénio - uma família que vai dos Cut Copy aos RÜFÜS, passando pelos Empire of the Sun ou Van She.

 

"Pacifica" (2012), o disco que se seguiu, esteve longe de manter a combinação frenética desse marco no cruzamento de electropop, rock e techno, e apesar de alguns momentos inspirados também não ofereceu singles do calibre de "My People" ou "This Boy's in Love".

 

Seis anos depois, e com poucas novidades pelo meio, Julian Hamilton e Kim Moyes preparam finalmente a chegada do sucessor e já começaram a desvendá-lo. "HI VIZ", o quarto álbum, chega a 1 de Junho e já tinha sido antecipado por "Do What You Want" e "14U+14ME", cartuchos eficazes para as pistas mas que não pareciam trazer grandes sinais de mudança ao universo dos PRESETS (o segundo até se mostrava mais interessante na remistura de Superpitcher, já em modo afterhours).

 

The Presets 2018

 

Ainda assim, parece haver espaço para algumas surpresas por aqui. "DOWNTOWN SHUTDOWN", o terceiro single de avanço para o disco, mantém a pulsão rítmica embora num tom inesperadamente luminoso, em parte pela colaboração do coro da igreja Luterana de St. Paul, composto por refugiados da República Democrática do Congo, Burundi e Sudão do Sul. Depois da explosão raver e industrial, a viragem para uma pop electrónica a fazer pontes com a world music (e a música africana em particular)? Talvez seja só um episódio pontual, mas é o mais refrescante da dupla em muito tempo.

 

Touch Sensitive, músico e produtor dos Van She, junta-se à festa no baixo e está entre os convidados do álbum (ao lado de Jake Shears, dos Scissor Sisters, ou Alison Wonderland). Ainda mais concorrido é o videoclip, que mantém o ambiente de celebração comunitária e reforça a vontade de ver os PRESETS num palco português (até porque a espera já vai longa):

 

 

Os pequenos ditadores

Young Fathers 2018

 

E se o destino do mundo estiver entregue a uma brincadeira de crianças? A ideia dá o mote ao videoclip de "TOY", o novo single dos YOUNG FATHERS e um dos temas mais fortes de "Cocoa Sugar", o terceiro álbum do trio de Edimburgo.

 

Protagonizado por versões infantis de Kim Jong-Un, Mao Tse-Tung ou Idi Amin Dada, o vídeo dá um contraponto ligeiro, mas ainda assim inquietante q.b., a uma canção tensa e incisiva, nascida do cruzamento de linguagens do hip-hop com contaminações tribais e industriais - como já acontecia no mais melódico "In My View", o óptimo single anterior do grupo.

 

"Tendo em conta o panorama político dos nossos tempos, diria que a verdade é certamente mais estranha do que a ficção", aponta Salomon Ligthelm, realizador do videoclip que acompanha os jogos de poder de um grupo de crianças mimadas. E quando se espreitam algumas manchetes ou telejornais, é difícil não concordar pelo menos em parte: