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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

De Poison Ivy a Charlotte, da new wave ao trip-hop

Den-Mate

 

Depois de terem editado um álbum promissor em 2013, de título homónimo, só no ano passado é que os DEN-MATE voltaram a trazer novidades de uma música que descrevem como "electrónica indie de outro ponto no tempo e no espaço".

 

No EP "Entropii", o quarteto norte-americano retomou o mergulho numa dream pop com pontes para o shoegaze ou a new wave, ambientes conduzidos pela voz sedutora de Jules Hale e que podem agradar facilmente a fãs das Warpaint, Grimes (dos primeiros tempos), Broadcast ou Purity Ring - alguns dos eleitos da lista de favoritos do grupo.

 

Mas apesar dessas canções relativamente recentes, há mais a caminho e não vão demorar muito a chegar: o segundo álbum, "Loceke", é editado já a 28 de Setembro, prometendo acompanhar várias personagens num alinhamento que partiu da morte e do renascimento. E a julgar pelas primeiras amostras, as guitarras deverão ter agora mais protagonismo do que os sintetizadores. Estão no centro do primeiro single, "SICK", em modo especialmente abrasivo, e surgem mais controladas no segundo, "CHARLOTTE", uma das melhores amostras do potencial dos DEN-MATE (e do carisma da vocalista). Ainda assim, electrónica volta a ganhar espaço no terceiro tema de avanço, "XOSO", com uma batida dopada de linhagem trip-hop.

 

Boas amostras são também as actuações da banda de Washington, que parecem convencer tanto num registo mais agitado como tranquilo. É o caso do disparo pós-punk de "POISON IVY" e da contenção acústica de "SAILING", que ficam para ver e ouvir abaixo, depois do videoclip de "SICK" - a trazer o primeiro estudo de personagem do novo disco:

 

 

 

 

Dias de um futuro tremido

Ladytron 2018

 

Inicialmente agendado para o final deste ano, o próximo álbum dos LADYTRON - e o primeiro desde o já distante "Gravity the Seducer", de 2011 - não vai chegar, afinal, antes do primeiro trimestre de 2019. Mas 2018 conta pelo menos com dois singles dos britânicos: "The Animals", revelado em Fevereiro, e o mais recente "THE ISLAND", cujo videoclip estreou esta semana.

 

Assinado por Bryan M. Ferguson, o vídeo torna Glasgow no cenário de uma história de ficção científica que não será das mais originais, mas que pode funcionar como reflexo distópico de algumas tensões dos dias de hoje - sobretudo na forma como as diferenças são encaradas. E nesse sentido, o novo single até está na linha do anterior (e do respectivo videoclip), que já se debruçava sobre os instintos mais primários sem se afastar muito da pop electrónica turva do grupo.

 

"THE ISLAND" será também um dos temas que não deverá faltar nos próximos concertos do quarteto, todos no Reino Unido no início de Novembro, ocasiões para recordar uma das melhores discografias dos últimos anos - e talvez para saber mais do que aí vem, mas que tem demorado a chegar.

 

 

O império dos sentidos

Anna Calvi Hunter

 

Já falta pouco para poder ouvir o novo álbum de ANNA CALVI. O terceiro disco da britânica chega esta sexta-feira, 31 de Agosto, mas antes ainda há tempo para mais uma chamada de atenção.

 

"HUNTER", a faixa-título, é a sucessora de "Don't Beat the Girl Out of My Boy" e continua a debruçar-se sobre a intimidade e a liberdade sexual, temas que inspiraram o novo conjunto de canções - o final de uma relação de oito anos também teve influência num alinhamento especialmente autobiográfico.

 

Menos intempestivo do que o anterior, o single mantém a grandiosidade dos arranjos numa ode à exploração do corpo e do prazer, em momentos "tão belos como transcendentes", descreve a cantautora. "Estou farta de ver mulheres retratadas como presas dos homens. Nesta canção, sou eu a caçadora", explicou à Dazed.

 

Para o videoclip, escolheu Matt Lambert, realizador e fotógrafo norte-americano que tem colaborado com vários artistas LGBTQ+ (Years & Years, Austra, Hercules & Love Affair) e que deixa agora um olhar sobre as experiências individuais de um rapaz e uma rapariga "de uma forma tão íntima como lúdica" - e explícita q.b., embora longe de qualquer tentativa de choque gratuita: