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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Velocidade furiosa contra o recolher obrigatório

E se "The Walking Dead" se cruzasse com "Mad Max: Estrada da Fúria" e a mistura também tivesse qualquer coisa de "Velocidade Furiosa", "Um Lugar Silencioso" ou da saudosa animação "A Mais Louca Corrida do Mundo"? "CURFEW", a nova série do Syfy (também disponível na HBO Portugal), pode ser um rodízio de influências, mas pelo menos é servido com um arranque tão desopilante como despretensioso.

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Estreada na Sky One em Fevereiro de 2019, "CURFEW" chega à televisão linear portuguesa com um atraso que já vai sendo raro na era da aceleração do streaming, embora continue a não se parecer muito com nenhuma outra série do momento - mesmo que não lhe faltem referências do pequeno ou do grande ecrã. Nem sequer se parece com "Peaky Blinders", saga pela qual passaram tanto o seu criador, Matthew Read, como o principal realizador, Colm McCarthy, que em vez da Londres do passado olham aqui para a do futuro.

Se em 2021 a experiência do recolher obrigatório já não será estranha para quem só agora descobre a série, depois de uma pandemia que veio mudar as regras, essa imposição é bastante mais implacável no universo desta história distópica, na qual quem não voltar para casa ao cair da noite se arrisca a ser detido (ou pior) por agentes de um sistema autoritário ou devorado por estranhas criaturas parentes próximas de zombies (versão acelerada, na linha de "28 Dias Depois", um dos muitos casos de ficção científica que este retrato poderá lembrar).

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Ainda assim, há quem resista e procure alternativas. E a ocasião mais favorável para escapar parece ser uma corrida clandestina de carros ( e outros veículos, muitos alterados de forma excêntrica q.b.) que decorre à noite e cujos vencedores terão a sorte de conseguir ter acesso a uma ilha misteriosa, livre do regime opressivo e das ameaças mortíferas que supostamente o despoletaram.

Sim, a premissa e algumas cenas de "CURFEW" obrigam a uma suspensão da descrença que não será para todos, mas quem decidir entrar no jogo talvez se surpreenda com a energia e imaginário que Read e McCarthy desenham com um óbvio gozo e convicção. Nos dois primeiros episódios, a dupla mostra-se à vontade com um tom de série B assimilado por um elenco tão diverso como as influências da saga - a juntar gente como Sean Bean, Billy Zane, Adam Brody e Miranda Richardson a actores em ascensão, caso de Phoebe Fox ou Malachi Kirby.

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O arranque, no entanto, não se foca tanto nos nomes mais populares, excepto Bean (a ver se é desta que se conta entre os sobreviventes), e deve quase todo o impacto emocional a Adrian Lester e Ike Bennett, respectivamente um pai e um filho pelos quais os espectadores tenderão a torcer (as outras personagens, para já, não despertam a mesma empatia).

Embalada por uma banda sonora que sublinha uma estética retrofuturista (não faltam clássicos synth-pop e new wave), incluindo um genérico inicial algures entre a herança de John Carpenter e a revisão de "Stranger Things", a série compensa a faceta derivativa com um desenho credível (aceitando os contornos da proposta) de ambientes e figuras do submundo londrino, e nisso até nem está assim tão longe dos clãs de "Peaky Blinders". Apesar de alguns flashbacks cortarem o disparo de adrenalina, o segundo episódio mostra-se mais expedito do que o capítulo introdutório e acende o rastilho para os próximos seis. Mas a boa primeira impressão fica já garantida, e com alguma dose de surpresa...

Os primeiros dois episódios de "CURFEW" estrearam-se no Syfy a 7 de Setembro. O canal estreia novos capítulos todas as terças-feiras, a partir das 22h15. A série também está disponível na íntegra na HBO Portugal.

Filmes, séries, discos e canções: 55 de 2021

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Agosto está aí à porta, é tempo de ir a banhos, mas também já é altura de fazer um primeiro balanço do que se viu e ouviu no primeiro semestre de 2021.

Terminado o confinamento, as salas de cinema voltaram a ser uma opção e a colheita dos Óscares deste ano ajudou a trazer algumas boas surpresas - sobretudo "Minari", um dos grandes dramas do ano, e a maioria dos nomeados da categoria de Melhor Filme Internacional.

No pequeno ecrã, vale a pena destacar três séries que mereciam mais atenções - "Losing Alice", "Manhãs de Setembro" e "Invincible" -, numa fase em que a oferta (e a dispersão) do streaming é cada vez maior.

Na música, os últimos meses tanto viram justificado o voto de confiança em algumas revelações (Dry Cleaning, For Those I Love) como em nomes que superaram o desafio do segundo álbum (Goat Girl, Bicep) ou em veteranos ainda em forma (GusGus, Arab Strap, Garbage). Já dentro de portas, Callaz, Rita Vian, Mira Quebec ou Oma Nata foram propondo caminhos sugestivos e personalizados para a (pop) electrónica nacional.

Enquanto a rentrée não chega para acelerar o ritmo de novidades, ficam por aqui algumas dezenas de pistas a seguir ou a retomar (pelo menos) até lá:

10 FILMES

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"As Andorinhas de Cabul", Zabou Breitman e Eléa Gobbé-Mévellec
"Colectiv - Um Caso de Corrupção", Alexander Nanau
"Luca", Enrico Casarosa
"Minari", Lee Isaac Chung
"O Homem que Vendeu a sua Pele", Kaouther Ben Hania
"O Mistério de Block Island", Kevin McManus (Netflix)
"Quo Vadis, Aida?", Jasmila Zbanic
"Raparigas", Pilar Palomero
"Tesla", Michael Almereyda
"Um Lugar Silencioso 2", John Krasinski

10 SÉRIES

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"Faz de Conta que Nova Iorque É uma Cidade" (T1), Netflix
"Invincible" (T1), Amazon Prime Video
"Losing Alice" (T1), Apple TV+
"Love, Victor" (T1), Disney+
"Manhãs de Setembro" (minissérie), Amazon Prime Video
"Mare of Easttown" (T1), HBO Portugal
"O Dia" (T1), RTP2/RTP Play
"Shippados" (T1), Globo
"The Expanse" (T5), Amazon Prime Video
"WandaVision" (T1), Disney+

10 DISCOS

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"As Days Get Dark", Arab Strap
"Bratty", Brendan Hendry
"Bye Bye Baby", Requin Chagrin
"For Those I Love", For Those I Love
"Glowing in the Dark", Django Django
"Isles", Bicep
"Mobile Home", GusGus
"New Long Leg", Dry Cleaning
"No Gods No Masters", Garbage
"On All Fours", Goat Girl

5 DISCOS NACIONAIS

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"CAOS'A", Rita Vian
"Garrincha", Mira Quebec
"Dead Flowers & Cat Piss", Callaz
"Punk/Pop and Soft Rage", Victor Torpedo
"Selfie Destruction", PZ

10 CANÇÕES

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"A Man Needs a Maid" (versão de Neil Young), Tindersticks
"Birthday / The Pain", For Those I Love
"Concatentate II", Christina Chatfield
"Fou", Requin Chagrin
"Her Hippo", Dry Cleaning
"Hold On", Not Waving feat. Marie Davidson
"In the Stone", The Goon Sax
"Lucky Coin", Virginia Wing
"Sad Mezcalita", Xiu Xiu feat. Sharon Van Etten
"The Cure", FRAGRANCE. feat. Lulannie

Outras canções a guardar:

10 CANÇÕES NACIONAIS

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"Atonal Heavy Metal Song", Callaz
"Balúrdio", Maria Reis
"Confusing to Her Feelings", Oma Nata
"Daqui para Fora", PZ
"Dejavu", Jorge Benvinda
"Hide", Sean Riley & The Slowriders
"HPA", Rita Vian
"Phisique", Paraguaii
"Psyche", Violet
"Trust Issues", Mira Quebec

Mais escolhas da prata da casa:

Ah, os problemas de primeiro mundo...

O cenário é paradisíaco, mas a estadia dos protagonistas de "THE WHITE LOTUS" num resort havaiano promete ser memorável pelos piores motivos (para as personagens, não para os espectadores). A nova minissérie de Mike White já chegou à HBO Portugal e não dá vontade passar mais um Verão pandémico fora de portas.

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No primeiro episódio de "Enlightened", série que Mike White escreveu e dirigiu há dez anos, a protagonista (interpretada por Laura Dern) refugiava-se no Havai para o início de um processo de renovação espiritual, ao tentar esquecer uma polémica no trabalho através de uma rotina de meditação e tendências mindfulness.

"THE WHITE LOTUS", a nova aposta do norte-americano que se destacou como argumentista de "Freaks and Geeks", "Escola de Rock", "Orange County" ou "É Agora ou Nunca", regressa a esse cenário paradisíaco para acompanhar agora uma galeria mais vasta de personagens, das quais poucas estarão a tentar ser pessoas melhores. O que não quer dizer que algumas não acabem por mudar pelo caminho, já que "Enlightened" se interessava tanto pelas falhas de carácter e contradições da protagonista como pela possibilidade de redenção e compaixão.

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Na mais recente mistura de comédia negra e drama enxuto, na qual a tragédia também espreita (alguém vai morrer durante as férias, alerta o primeiro capítulo sem dizer quem), White olha com acidez q.b. para os dilemas e inquietações de turistas privilegiados e da equipa do resort que se desdobra para os acomodar sem que lhes falte nada, lançando farpas sobre os conflitos de classes, os vícios do capitalismo e o jogo de aparências entre o ser e o parecer.

Um jovem casal em lua de mel mas alojado no quarto errado, uma mulher excêntrica e solitária que lida com a morte da mãe, duas adolescentes que se divertem a julgar os outros visitantes ou uma estagiária ansiosa que esconde um segredo do gerente do resort dão algumas pistas narrativas para estes seis episódios, mais uma vez todos escritos e realizados pelo autor.

Para já, o argumento aborda a mesquinhez que vai marcando a dinâmica destas relações pessoais e profissionais sem ser mesquinho com as figuras que retrata, mesmo que não haja muitas personagens a disputar a simpatia dos espectadores. E sai reforçado por um elenco sólido e curioso, a juntar gente como Jennifer Coolidge, Steve Zahn, Connie Britton, Jake Lacy ou Murray Bartlett. Quem procurar uma série espirituosa (mas não necessariamente feel-good) para ver nas férias poderá ter aqui das propostas mais aliciantes deste Verão...

O primeiro episódio de "WHITE LOTUS" está disponível na HBO Portugal desde 12 de Julho. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as segundas-feiras.