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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Animais nocturnos (ou só mais uma festa em São Paulo)

Ladytron The Animals

 

Os LADYTRON podem ter estado sete anos sem gravar, mas parecem ter conseguido captar o espírito dos tempos no regresso. Na semana em que Lula da Silva volta a gerar manchetes um pouco por todo o lado, o quarteto britânico estreia o videoclip de "THE ANIMALS", o seu novo single (revelado em Fevereiro), inspirado no clima de tensão que se tem vivido no Brasil.

 

Filmado em São Paulo, cidade de eleição de Daniel Hunt nos últimos anos (onde entretanto formou o projecto paralelo Tamoios), o vídeo percorre vários espaços emblemáticos locais enquanto acompanha três jovens amigos, partindo das suas experiências para desenhar um retrato simultaneamente "violento, sensorial e lúdico" que expõe contrastes "culturais, de género, espirituais e identitários", diz o grupo.

 

Entre a festa e o caos, sobressai um olhar que insinua a intolerância e homofobia de alguns meios embrulhado numa energia visual a remeter para ambientes de Gregg Araki ou Xavier Dolan (não por acaso, dois nomes associados ao cinema queer). Essa sensibilidade, aliada ao lado narrativo, talvez ajude a explicar porque é que a banda apresenta o resultado como uma curta-metragem - assinada por Fernando Nogari, que se estrou no formato depois da realização de videoclips com "What Young People Call Music" (2017), obra de contornos documentais que já conjugava cultura juvenil e musical.

 

"THE ANIMALS" é, para já, o único inédito do sexto álbum dos LADYTRON revelado, até porque o disco ainda não foi gravado e só deverá chegar mais para o final do ano. Mas se a canção já tinha dado a entender que o quarteto continua a fazer música confiável, é bom ver que a gestão da imagem também se mantém sedutora:

 

 

Quarteto (ainda) fantástico

Ladytron 2018

 

Estava demorado, mas afinal parece que é mesmo desta... Os LADYTRON estão de volta, sete anos depois do quinto álbum, "Gravity the Seducer" (2011), e por agora revelaram o primeiro single de um disco a editar mais para o final de 2018 - cujo processo de gravação pode ser acompanhado de perto por quem aderir à campanha de crowdfunding.

 

"THE ANIMALS" é reconhecivelmente LADYTRON logo aos primeiros segundos, com uma mistura de teclados e sintetizadores a embalar a voz de Helen Marnie num single tão denso como propulsivo. A produção, tal como a das canções que se seguem, fica a cargo de Jim Abbiss, que ajudou a moldar a viragem sonora de "Witching Hour" (2005), talvez o melhor álbum do quarteto de Liverpool e a partir do qual aliou o electrónico ao eléctrico, com o reforço das guitarras e de influências góticas, industriais ou shoegaze - dando novos mundos ao que já tinha começado como uma proposta synthpop entre as mais aliciantes de inícios do milénio.

 

O novo tema segue essa linha atmosférica e está longe da faceta mais orelhuda e redonda de Marnie a solo, o único contacto possível com um universo próximo da banda nos últimos anos. Daniel Hunt também manteve ligações à música, como produtor das novas canções dos Lush ou do arranque dos Tamoios, enquanto Mira Aroyo colaborou com os The Projects e John Foxx e The Maths. Já Reuben Wu tem-se dedicado a um percurso como fotógrafo. Mas apesar desses caminhos dispersos, "THE ANIMALS" sugere que a dinâmica de grupo continua proveitosa muitos anos depois do surpreendente "604" (2001). Venham mais assim e pode estar aqui um dos regressos de 2018:

 

 

Anos 80 bem medidos

marnie

 

"Crystal World" provou, há quatro anos, que Helen MARNIE, uma das vozes dos Ladytron, era a melhor alternativa à falta de novidades da sua banda - que ainda está para editar o sucessor de "Gravity the Seducer" (2011). 

 

Com o segundo álbum a solo, "Strange Words and Weird Wars", agendado já para 2 de Junho, é legítimo continuar a esperar mais uma boa colheita de pop electrónica, provavelmente ainda mais devedora dos anos 80 do que o registo anterior. Ou pelo menos é que têm dado a entender os primeiros avanços: o excelente "Alphabet Block", o mais denso "Lost Maps" e agora "ELECTRIC YOUTH".

 

Rebuçado boy meets girl directo e melódico, não será dos temas mais surpreendentes da cantora britânica mas é mais um single promissor, a abrir o apetite para um dos regressos da temporada. O videoclip, também com os anos 80 bem presentes, condiz com a nostalgia e inocência da letra:

 

 

A solo, mas solidária

marnie_2017

 

"Where's the revolution? Come on, people, you're letting me down", questionam e desabafam os Depeche Mode no primeiro single do seu novo álbum. "Is there anybody out there speaking the truth? Don't believe what they tell you", dispara por sua vez Helen MARNIE, uma das vocalistas da banda que melhor tem seguido os passos, neste milénio, da escola da pop electrónica que Dave Gahan e companhia ajudaram a criar há quatro décadas.

 

Mas enquanto os Ladytron não anunciam um sucessor para o já distante "Gravity the Seducer" (2011), um dos seus elementos já vai a caminho do segundo álbum em nome próprio. Como sugere o novo single, "LOST MAPS", o alinhamento do disco que se segue a "Crystal World" (2013) e está previsto para 2 de Junho é mais político, desde logo no título, "Strange Words and Weird Wars". E se o cartão de visita anterior, o brilhante e irresistível "Alphabet Block", não o deixava muito evidente, a letra da nova aposta é bem mais esclarecedora.

 

"Is anybody out there looking for you? Do they know what you've been through?", pergunta Marnie, e as frases ganham outra ressonância no videoclip, com inspiração directa na crise dos refugiados. Tal como os Depeche Mode, a britânica arrisca medir o pulso do clima social sem adiantar grandes soluções, mas nem eram necessárias imagens para a canção ganhar um sentido de urgência assinalável: basta a marcha synthpop, imponente e infecciosa, e uma voz que continua a ser das mais confiáveis destes tempos entre texturas electrónicas: