Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Rock in rio

Requin Chagrin 2019.jpg

Um dos bons álbuns de rock do ano tem assinatura francesa e confirma os REQUIN CHAGRIN como uma banda a seguir com atenção, quatro anos depois do disco de estreia homónimo. E um bom pretexto para o (re)descobrir, alguns meses depois do lançamento, é o novo single, sucessor do grandioso "Sémaphore".

Entre ecos da dream pop e do shoegaze, "RIVIÈRES" atesta o sentido melódico apurado do grupo e o gosto particular por harmonias vocais - e também ajuda a explicar porque é que o quarteto foi a primeira aposta da KMS Disques, a editora de Nicola Sirkis, vocalista dos Indochine. O videoclip, sem a carga cinematográfica das imagens do cartão de visita anterior, concentra-se numa actuação da banda e mantém a inspiração aquática do tema:

Sonata de Outono

Immanent Fire.jpg

Desde a estreia, com "Dark Undercoat" (2007), EMILY JANE WHITE tem mostrado ser uma cantautora capaz de recompensar quem lhe dá atenção. Prova disso é uma discografia que, sem fugir à folk negra que lhe serviu de matriz,  se manteve interessante, personalizada e consistente ao longo de cinco álbuns.

"Immanent Fire", agendado para 15 de Novembro, é o sexto capítulo que já tardava (o anterior, "They Moved in Shadow All Together", saiu em 2016), e a norte-americana assume que é o mais marcado por preocupações feministas e ecológicas, além de convidar a uma revalorização do emocional e do espiritual.

"Light", o primeiro avanço, revelado há poucas semanas, tinha mostrado a cantautora a percorrer um território que conhece bem, e pouco condizente com o título do tema - o ambiente mantinha-se tão sombrio e outonal como até aqui. Já "WASHED AWAY", a segunda canção divulgada, não coloca de parte a melancolia mas mostra-se mais esperançosa ("I got up and walked in the night/ And I refused to be washed away"), com uma luminosidade que também passa pela moldura sonora.

Embora a voz se junte ao piano, a apontamentos electrónicos e a arranjos de cordas, o resultado está muito longe de um exercício barroco e deixa intacto o tom de câmara da música de EMILY JANE WHITE. A conjugação do orgânico e do digital, que está entre as inspirações do disco, foi o ponto de partida para o videoclip:

Um álbum para iniciar 2020

poliça.jpg

Entrada directa para a lista de discos a aguardar em inícios de 2020: "When We Stay Alive", o quarto álbum dos POLIÇA, chega a 31 de Janeiro e foi gravado a seguir a um período em que a vocalista esteve acamada depois de uma queda.

O trauma dessa fase, durante o qual Channy Leaneagh ficou imobilizada e com a coluna comprometida, acabou por ter efeito nas novas canções, atravessadas pelo "poder redentor de reescrever a nossa história" através do processo de recuperação e da reafirmação da identidade, descreve a cantora.

O primeiro single, no entanto, soa mais a um passo de evolução na continuidade e não destoaria no álbum antecessor, "United Crushers" (2016), ao conjugar uma voz lacónica com sintetizadores sombrios e enigmáticos q.b.. Curiosamente, o lado B, "Trash In Bed", acaba por ser mais imediato, culpa da produção de Boys Noize, com um embalo electro a caminho da pista de dança.

O DJ alemão não é o único colaborador dos norte-americanos: Ryan Olson, ex-mentor dos Gayngs, produziu a maior parte dos temas; Jim Eno, baterista dos Spoon, encarregou-se da mistura e Bon Iver também participa. Já Isaac Gale assinou o videoclip de "DRIVING", tão minimalista e sinuoso como a canção:

Brisa de mudança

herculesloveaffairchange.jpg

O novo single dos HERCULES & LOVE AFFAIR diz logo ao que vem: chama-se "CHANGE" e é o primeiro passo de uma mudança no projecto de Andy Butler - e o primeiro inédito desde o quarto álbum, "Omnion" (2017).

O tema marca o início da colaboração com Alec Storey (AKA Second Storey), produtor que terá ajudado a vincar uma sonoridade mais fria e devedora do techno ou do electro, num contraste com a house e o disco, mais predominantes até aqui.

A viragem também vai reflectir-se nos concertos, com o novo cúmplice a encarregar-se da percussão, que promete ganhar mais peso, em detrimento das vozes convidadas que não faltavam nas actuações do projecto. O novo single dá também o título ao EP que apresenta esta opção sonora: "Change" é editado a 1 de Novembro e inclui ainda remisturas, à partida mais negras e maquinais, de "Raise Me Up" (com Anohni), "My Offence" (com Krystle Warren) e "Are You Still Certain" (com os Mashrou' Leila).

"Change will get you through", canta Andy Butler no avanço inicial. E para já, esta parece ser uma boa mudança, com reflexo directo num videoclip com coreografias pouco convencionais e a cargo de um grupo de bailarinos diversificado:

Uma canção para dizer adeus ao Verão

Keep Razors Sharp Facebook.jpg

Prestes a terminar a digressão centrada em "Overcome" (2018), o seu segundo álbum, os KEEP RAZORS SHARP revelaram um tema que acabou por não chegar a entrar no alinhamento do disco, mas que nem por isso ficou esquecido.

Experiência que se distingiu das outras canções mais recentes (como "Always and Foverer" ou "Overcome"), "SUMMER NIGHTS" marcou a primeira colaboração entre a banda de Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate) e outro artista. Mas espera-se que não seja a última, já que a voz de Teresa Castro (Calcutá) dá-se especialmente bem com um clima de melancolia indie rock tão familiar como intemporal, entre ecos de noites de verões intermináveis e amores adolescentes de memória já esbatida.

O novo single deverá ser um dos que farão parte do próximo concerto do quarteto, na EA LIVE, no Campo Pequeno, em Lisboa, já a 12 de Outubro, evento partilhado com Gabriel O Pensador, The Gift ou PAUS, entre outros. O videoclip, realizado por Joana Linda e protagonizado pela actriz Mia Tomé, acentua o travo nostálgico da canção em modo road trip sépia e veraneante: