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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

À descoberta do segundo álbum

20181011 Foto Promo Final KRS Joana Linda

 

Os KEEP RAZORS SHARP começaram o ano a prometer um segundo álbum e revelaram logo em Janeiro o (muito aconselhável) primeiro single, "Always and Forever". Só que desde aí não surgiram mais novidades do sucessor da estreia homónima de 2014.

 

Mas "OVERCOME", assim se chama o disco, chega mesmo em 2018 e nem é preciso esperar muito mais: vai poder ser ouvido a partir desta sexta-feira, 19 de Outubro. E agora até já se pode escutar o segundo single, a faixa-título, canção muito menos explosiva do que a antecessora embora não menos aliciante - e a comprovar que a melancolia também assenta bem ao grupo de Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate).

 

KRS

 

O videoclip, realizado por Joana Linda, acompanha o quarteto "entre os mortos e os vivos, o passado e o futuro", no World of Discoveries, museu interactivo e parque temático do Porto, com um ambiente meditativo e surreal q.b.. E entretanto também já é conhecida a capa do disco que, depois do lançamento, chega aos palcos na próxima semana, a 25 de Outubro, no festival Jameson Urban Routes, no Musicbox, em Lisboa - numa noite repartida com os brasileiros Boogarins. Agora, sim, temos regresso e em várias frentes:

 

 

Rastilho para um regresso

Keep Razors Sharp

 

Em equipa que ganha não se mexe e a dos KEEP RAZORS SHARP mantém-se intacta, quatro anos depois do álbum de estreia (que continua a poder ser ouvido e descarregado gratuitamente aqui).

 

Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e Bibi (Pernas de Alicate) voltaram a juntar-se para um dos discos a aguardar entre a produção nacional de 2018, ainda sem data de lançamento mas já com uma pista do que aí vem.

 

"ALWAYS AND FOREVER", o single de apresentação, retoma a efervescência do grupo num portento psicadélico de travo shoegaze, directo e propulsivo, com o contraste de vozes e guitarras a levar a uma vertigem de três minutos (e a mostrar potencial para sair ampliada ao vivo). O refrão orelhudo também ajuda, mesmo que não seja tão pegajoso como o de um tema na linha de "Can't Get You Out of My Head" (sim, a canção de Kylie Minogue que teve direito a uma tremenda versão da banda).

 

O videoclip, realizado por Leonor Bettencourt Loureiro, foi filmado nos Blacksheep Studios, em Mem Martins, mas a música atira-nos mais facilmente para o deserto norte-americano num dia agreste q.b. e com eventual mergulho em demónios interiores. Para começar a aquecer o ano enquanto abre caminho para o álbum, não está nada mal:

 

 

Dias de festa numa casa global

Holy Nothing

 

Foi uma das aventuras musicais mais ambiciosas do ano e juntou 74 artistas nacionais e asiáticos. Editada em Abril, a caixa do projecto T(H)REE retomou a ideia de David Valentim desenvolvida a partir de 2010 e incluiu o terceiro, quarto e quinto volumes da série de colaborações entre músicos portugueses (como Old Jerusalem, Jibóia, Surma ou Peixe) e da Índia, Cazaquistão ou Emirados Árabes Unidos, entre outros.

 

Depois de "Nura Pakang", encontro entre os Clã e a indiana Mangka, a nova aposta oficial de "T(H)REE - A  Musical Journey from Portugal to Asia" é a canção criada pelos HOLY NOTHING e MUHAISNAH FOUR, artista filipino sediado no Dubai. Mais linear do que a maioria dos temas da banda portuense, também tem maior potencial de single num exemplo de electrónica dançável que dificilmente sugere o cruzamento de nacionalidades dos autores.

 

Mas se não é dos exemplos mais idiossincráticos de T(H)REE, "HOME" funciona como boa porta de entrada para a caixa cuja receitas revertem para a "Make a Wish Portugal". E o videoclip chega na altura certa, ao acompanhar o protagonista entre celebrações natalícias (e outras) num relato que cruza solidão e comunhão, festa e alienação, numa proposta a cargo de Leonor Alexandrino, Daniel Ferreira, Jéssica Carriço e João Marques, estudantes finalistas de Cinema na Universidade Lusófona de Lisboa:

 

 

A noite (e o jogo) dos mortos-vivos

PZ

 

"Império Auto-Mano", o quarto álbum de PZ, não só é dos mais conseguidos do projecto a solo de Paulo Zé Pimenta como merece figurar entre os melhores da produção nacional deste ano. E caso vinhetas sobre os absurdos do quotidiano na linha de "Olá""No Meu Lugar" ou "Mais" não fossem suficientes para comprovar que a receita com condimentos hip-hop, funk, electropop ou techno à moda do portuense está cada vez mais apurada (e continua com direito a sotaque inconfundível na música que se faz por cá), há agora mais uma chamada de atenção para o disco.

 

"ZONA ZOMBIE" ganha novo fôlego a tempo da noite de Halloween e o título não engana: é dos temas mais sombrios, mesmo que não abdique do humor que percorre o álbum, e junta os sussurros de PZ (em tom mais intimidante do que o habitual) a uma penumbra electrónica que não anda longe da faceta sintética e implosiva de uns Nine Inch Nails.

 

O videoclip mantém-se fiel ao título e vai colocando mortos-vivos no caminho do protagonista, uma versão animada do músico (à qual não falta o pijama já conhecido de outros vídeos ou palcos), num passeio que além de remeter para o cinema de terror também é uma homenagem aos videojogos dos primórdios (a cargo da Check It Out Studios, do Porto). Anos 80 bem medidos para ir voltando a um álbum que ajuda a dar graça a 2017: