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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um regresso a pedir uma bola de espelhos

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Numa altura em que "Voyager" (2015), o primeiro álbum de MIRROR PEOPLE, já é uma memória distante, Rui Maia (parte dos X-Wife e também com edições em nome próprio) retomou o seu projecto mais virado para a electrónica dançável.

"HEARTBEATS ETC.", o segundo longa-duração, continua a sugerir pontes entre disco e funk, breakbeat ou house, quase sempre sem prescindir de uma sensibilidade pop expressa no formato canção, o mais habitual nos oito novos temas (embora nem todos sejam tão novos quanto isso, uma vez que alguns já tinham sido revelados nos últimos anos, até porque o álbum ganhou forma entre 2018 e 2022).

Com colaborações de Rö (nome artístico de Maria do Rosário), Da Chick e do duo italiano de italo disco Hard Ton, o alinhamento nasceu entre viagens de comboio, concertos e quartos de hotel e reforça os sintetizadores e drum machines face às guitarras.

Se no álbum a receita funciona, ao vivo a força destas canções torna-se substancialmente mais vincada, como o confirmará quem viu Maia e Rö ao vivo no Musicbox Lisboa, a 20 de Outubro, no primeiro concerto da mini-digressão nacional (que entretanto já passou pelo Porto, Vila Nova de Famalicão e despede-se a 18 de Novembro no Stereogun, em Leiria). Através de uma sucessão de temas sem paragens, o ritmo não abrandou e o desenho de luz, conjugado com os movimentos de dança imparáveis da vocalista, serviram efeitos especiais mais do que suficientes para que o espectáculo, embora minimalista, não deixasse de envolver.

"GUD TIMES", canção que já sobressaía no álbum ao piscar o olho às origens do electro, foi um dos momentos altos em palco e merecidamente escolhida para novo single - depois de "Reckless" e "No Other Truth". O videoclip encoraja, mais uma vez, a entrega à dança, e nem é essencial haver uma pista por perto:

Saiam da frente, ela vai passar

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Apesar de todas as limitações que impôs, ou precisamente por causa delas, o confinamento acabou por ser um período mais produtivo para muitos artistas do que talvez se esperasse. Foi esse o caso de ANA LUA CAIANO, cantautora que encontrou na quarentena o tempo e o embalo criativo para se aventurar mais a fundo nos arranjos das suas composições.

Rua em Quarentena, projecto criado a meias com a irmã, a realizadora Joana Caiano, juntou música e vídeo partindo de canções que conciliaram tradição e modernidade, além de sons de objectos do quotidiano, enquanto se debruçaram sobre o medo, a saúde mental ou relações à distância (filtrando a angústia com alguma ironia nas letras).

Entre bongos e teclados, flauta e sintetizadores, guitarra e programações ou até fitas métricas, a artista já estava longe do universo do piano clássico e do jazz, que vincaram a sua iniciação musical, rumo a uma linguagem que deverá ganhar contornos mais definidos no EP de estreia, e editar este ano pela Chinfrim Discos.

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"Nem Mal Me Queres", o primeiro single do disco, voltou a sugerir heranças de cantos tradicionais à medida que avançou no experimentalismo electrónico, numa canção de (des)amor intrigante e promissora. Já "SAI DA FRENTE, VOU PASSAR", o segundo avanço, vai mais longe na estranheza com um relato de afirmação numa moldura instrumental percussiva, a abrir pontes a algum hip-hop e música de dança sem apagar pistas do país profundo. A meio caminho entre os sussurros lacónicos de uma Billie Eilish e as harmonias vocais das Sopa de Pedra, mas impondo-se a essas ou outras comparações, é uma das canções portuguesas de 2022 a descobrir, guardar a revisitar, e um grande cartão de visita para o EP.

Além do videoclip abaixo, também vale muito a pena espreitar o showcase para as SBD Sessions, um one woman show revelador de um à vontade impressionante na conjugação de camadas e loops:

Filmes, séries, discos, canções e concertos: 68 de 2022

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Com o confinamento já bem lá para trás, 2022 tem sido percorrido sem máscara no cinema ou concertos e com os festivais a regressarem de vez ao formato presencial. E revelou-se, até agora, um ano convidativo para sair de casa, mesmo que o streaming ainda seja porto de abrigo ocasional.

Os últimos seis meses foram particularmente bons para descobertas no grande ecrã, e por isso a lista abaixo, embora reúna os melhores do semestre, não ficaria nada mal como selecção de finais de Dezembro. Se o que vier a caminho mantiver este nível, 2022 merece ser lembrado como um grande ano cinematográfico, apesar de só os espectadores mais atentos e ágeis conseguirem apanhar algumas pérolas em sala (tendo em conta o número invulgarmente elevado de estreias semanais e o pouquíssimo tempo que alguns filmes conseguem manter-se em cartaz).

No pequeno ecrã, a Netflix já viu melhores dias, o que não a impediu de oferecer algumas das séries mais recomendáveis (as críticas de falta de conteúdos interessantes foram manifestamente exageradas, ainda que a montra nem sempre seja a mais sugestiva).

Nos discos, o semestre talvez tenha sido menos marcante, sobretudo na colheita nacional (curiosamente mais forte nos dois anos anteriores), mas há edições suficientes a (re)descobrir para continuar a ter fé no formato álbum. Quem preferir concertos, não poderá queixar-se de variedade com a chegada do Verão, embora o reforço do circuito festivaleiro continue a não ter grande correspondência na agenda de espectáculos em sala. Veremos como será a temporada Outono/Inverno do ano que devolveu a normalidade possível em questões pandémicas...

10 FILMES

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"A Filha Perdida", Maggie Gyllenhaal
"A Lei de Teerão", Saeed Roustayi
"Depois do Amor", Aleem Khan
"Gagarine", Fanny Liatard e Jérémy Trouilh
"Ilusões Perdidas", Xavier Giannoli
"L'arminuta", Giuseppe Bonito (Festa do Cinema Italiano)
"O Bom Patrão", Fernando León de Aranoa
"Sempre Perto de Ti", Uberto Pasolini
"Sublet", Eytan Fox (Dias do Cinema Israelita)
"Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo", Daniel Kwan e Daniel Scheinert

10 SÉRIES

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"Alguém Algures" (T1), HBO Portugal
"Borgen: o Reino, o Poder e a Glória" (T1), Netflix
"Heartstopper" (T1), Netflix
"Love, Victor" (T3), Disney+
"Ozark" (T4), Netflix
"Raised by Wolves" (T2), HBO Portugal
"Severance" (T1), Apple TV+
"The Expanse" (T6), Prime Video
"Top Boy" (T2), Netflix
"Uma Nova Vida" (T1), Netflix

10 DISCOS INTERNACIONAIS

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"Alluvion", Emily Jane White
"Brief Romance", Love Good Fail
"Excess", Automatic
"Heart Under", Just Mustard
"In Amber", Hercules & Love Affair
"Skinty Fia", Fontaines D.C.
"The Line Is A Curve", Kae Tempest
"The Runner (Original Soundtrack)", Boy Harsher
"Time Bend and Break the Bower", Sinead 0'Brien
"Tropical Dancer", Charlotte Adigéri + Bolis Pupul

3 DISCOS NACIONAIS

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"2 de abril", a garota não
"Ocupação", Fado Bicha
"Suicídio Comercial", Baleia Baleia Baleia

20 CANÇÕES INTERNACIONAIS

10 CANÇÕES NACIONAIS

5 CONCERTOS

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Rita Sousa Vieira - SAPO 24/Madremedia

Clarice Falcão no Cineteatro Capitólio
Douglas Dare no Musicbox Lisboa
Duran Duran no Rock in Rio Lisboa
Pongo no B.leza
Pussy Riot no Cineteatro Capitólio