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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Máquina de guerra (nas redes)

Electric Man - fotografia Carla Gonçalves.jpg

A máquina de ELECTRIC MAN está bem oleada no novo single do projecto a solo de Tito Pires, fundador, vocalista e guitarrista dos Gessicatrip. "MODERN MACHINE" parte da combustão de guitarras e sintetizadores para deixar uma single-manifesto que se atira à alienação e realidades construídas através das redes sociais, apontando o dedo ao triunfo do ego e da aparência.

A mensagem não é nova - como o confirma, por exemplo, a também recente "Fake", de Romero Ferro -, mas o meio tem a sua eficácia, através de um rock propulsivo e dançável que não destoaria ao lado de temas dos X-Wife ou dos Parkinsons (não por acaso, duas das bandas nacionais que o músico diz admirar).

A canção chega depois de "Much More Space" (que convidou Suspiria Franklyn, a antiga vocalista dos Les Baton Rouge) ter marcado o regresso desta aventura individual no início do ano e parece abrir a porta a um sucessor do álbum homónimo, editado em 2015, e de "Electric Domestique", de 2017. Para já, o videoclip vai dando conta dos testes de pose:

Quando um regresso mantém a identidade intacta

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Projecto de Sérgio Deuchande (que compõe, canta e produz) criado em 2014, VATSUN começou a despertar mais atenções quatro anos depois, com a edição de um (promissor) álbum de estreia, "Imaterial", e ao se revelar uma das melhores surpresas da colheita EDP Live Bands 2018.

Entre inspirações literárias e cinematográficas que incluíram Joseph Conrad, Herberto Helder ou Ingmar Bergman, conciliadas com heranças musicais da synth-pop e do pós-punk, este percurso que também foi tendo edições no formato EP chega agora à fase do segundo álbum, do qual já se ouviram "Panorama" e "Fantasma" nos últimos meses.

Agendado para 20 de Outubro, "Intacto" parece manter as coordenadas de temas atmosféricos, entre o dançável e o meditativo, e sempre cantados em português - às vezes a lembrar os universos dos Sétima Legião ou Balla enquanto também promete chegar a admiradores de uns New Order. O exemplo mais recente disso mesmo é "VIDA SANTA", single nebuloso (as imagens do videoclip não enganam) mas que não prescinde de um embalo rítmico nascido de guitarras e sintetizadores, cruzamento ao qual se junta (e bem) a voz sussurrada de Deuchande. Pode estar aqui um dos discos nacionais a ter por perto na recta final de 2020:

Pista aberta para o nosso querido mês de Agosto

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Apesar de DAVID BRUNO só ter ido "a uma meia dúzia de festas da espuma", todas na Discoteca Auritex, em Figueira de Castelo Rodrigo (como explica na sua página do Facebook), não deixou de revisitar e recriar esse imaginário para ir começando a apresentar o próximo álbum.

"Raiashopping", o sucessor de "O Último Tango em Mafamude" (2018) e "Miramar Confidencial" (2019), promete ser (ainda) mais expansivo ao continuar a explorar traços de uma certa portugalidade, mas não necessariamente a partir de Gaia (cidade natal do músico, documentada nos discos anteriores) e arredores.

O itinerário deverá concentrar-se no nordeste nacional, da Beira Alta a Trás os Montes, num alinhamento nascido de memórias de tardes no café, mergulhos no tanque ou incursões ao outro lado da fronteira, continuando a explorar a faceta de rapper cruzado com cantor popular romântico (a admiração por Marante ou Toy é assumida) do elemento do Conjunto Corona que também já assinou discos e produções como dB (incluindo o sério candidato a greatest hit "Cara de Chewbacca", com PZ, outro cronista nortenho que não dispensa a ironia e o humor).

"FESTA DA ESPUMA", o primeiro single, parece derivar de atmosferas dos anos 80, dominantes no álbum anterior (influenciado pela synth-pop e filmes de Van Damme ou Stallone), ao abrir a pista com guitarras da escola pós-punk e sintetizadores com saudades da euforia baleárica de Madchester. A meio, DAVID BRUNO junta hip-hop à mistura (com uma homenagem a Helder, Rei do Kuduro), e nem é o casamento mais inesperado que já propôs. O videoclip também é descendente da era do VHS e a conjugação completa de heranças pessoais, locais e musicais pode ouvir-se a 1 de Agosto, data de lançamento do álbum:

 

O sol nasce para todos

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MOULLINEX tem tido uma rotina consideravelmente agitada durante o período de isolamento social, mantendo uma agenda que inclui DJ sets online aos sábados à noite (o mais recente, ao lado de Xinobi) ou actuações caseiras, a solo ou com a sua banda, na série de vídeos The Lockdown.

Foi, aliás, num desses episódios gravados em casa que Luís Clara Gomes começou por apresentar uma nova canção, um instrumental sem título nascido de teclados e sintetizadores, a meio caminho entre a euforia e a melancolia. Mas entretanto o tema não só ganhou nome, "LUZ", como passou a contar com a voz de GPU Panic (Guilherme Tomé Ribeiro, dos Salto).

Outra novidade é o videoclip, gravado com um iPhone dentro de um carro já na fase de quarentena, recorrendo a binóculos para observar momentos do quotidiano lisboeta de várias pessoas (convidadas a participar no projecto) nas suas janelas, varandas ou telhados.

Resultado de uma colaboração com o artista Bráulio Amado e filmado por Bruno Ferreira, tem a premissa da distância social mas não pretende ser um vídeo sobre o vírus ou a quarentena, sendo antes descrito como "quase uma curta-metragem sobre expressão individual, capaz de superar as restrições de isolamento, em casa. Sobre a arte quebrar as barreiras físicas em que vivemos e poder acontecer mesmo nestas circunstâncias".

Além de "LUZ", MOULLINEX partilhou nos últimos dias outros dois inéditos, "Ergo" e "Galesa", criados durante um encontro de músicos nos estúdios Key+Needle, em Nova Iorque, no ano passado. Tão ou mais direccionados para a pista de dança, podem ser ouvidos no EP "Nervous Brooklyn Sessions 2020", disponível nos serviços de streaming, tal como o novo single.

Desabafo de quarentena pijamística

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Pijama no local de trabalho? Um bálsamo para muitos dos que têm estado em isolamento social, nada de novo na rotina de PZ. Afinal, já era essa a farda de Paulo Zé Pimenta nos concertos ou videoclips, embora agora não destoe quando acompanha tantos outros das 9 às 5 (e mais além).

Mas apesar de lhe ser familiar trabalhar a partir de casa sem pensar muito na roupa, o músico portuense não deixa de partilhar um "desabafo de quarentena pijamística" na forma de uma nova canção. Ou não tão nova quanto isso, uma vez que "VÃO SER MILHÕES" surgiu há cerca de três anos ("quando não me lembro atiro sempre para os 3 anos", explica PZ nas redes sociais), ainda que só tenha sido revelada por estes dias. De qualquer forma, a letra podia ter nascido ontem, já que continua a fazer tanto ou mais sentido em tempos de fake news e de vidas que tendem a ser geridas em rede.

Primeiro inédito desde "Do Outro Lado" (o quinto álbum, editado em 2019), é um desabafo entre teclados e programações, com o humor e a idiossincrasia a manterem-se num videoclip obrigatoriamente caseiro, filmado e protagonizado pelo músico, como já é habitual: