Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Depois dos palcos, o CD e o DVD

 

Resultado da colaboração dos Micro Audio Waves com Rui Horta, "Zoetrope" passou no ano passado por vários palcos nacionais e estrangeiros - como o da Culturgest, em Lisboa.

 

Quase todo assente em novas canções da banda, o espectáculo multimedia pode ser (re)descoberto numa edição em DVD, devidamente acompanhada por um álbum com todos os inéditos que se ouviram nos palcos (em versões ligeiramente diferentes e às quais se junta ainda uma bela remistura de "Long Tongue", assinada por DJ Ride).

 

Na entrevista do vídeo abaixo, o trio de C. Morg, Cláudia Efe, Flak faz o balanço da experiência ao vivo, apresenta a edição dupla e conta um pouco do que pode esperar-se dos seus concertos deste ano:

 

 

O Cartaz de Sexta

 

Na noite desta sexta-feira, Lisboa tem, pelo menos, duas propostas promissoras no palco e no grande ecrã. Infelizmente não poderei ver nenhuma, mas para quem estiver pela capital ficam as sugestões.

 

Na música, o destaque vai para o concerto dos Micro Audio Waves no MusicBox (às 00h30), e conhecendo um pouco a banda já se prevê que será no mínimo bom (ou mais do que isso, como a actuação de há dois anos na mesma sala).

E este ainda tem a particularidade de ser filmado, já que o espectáculo surge integrado nos Club Docs, documentários sobre artistas nacionais que serão exibidos este ano na RTP2 (sábado é a vez dos também recomendáveis X-Wife).

 

No cinema, merece referência o arranque do Queer Lisboa 13, Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa. "Morrer como um Homem", o novo filme de João Pedro Rodrigues ("O Fantasma", "Odete") é o título da sessão de abertura (às 22h no Cinema São Jorge).

Tal como nas edições anteriores, o festival conta com curtas e longas-metragens, da ficção ao documentário, assim como com uma selecção de videoclips temáticos.

E este ano inaugura uma nova secção onde recupera alguns filmes marcantes - como "The Living End", de Gregg Araki (realizador do memorável "Mysterious Skin").

 

Ainda na sétima arte, chegaram esta semana às salas dois filmes a reter: o muitíssimo elogiado "Estado de Guerra", de Kathryn Bigelow (que tem no currículo o excelente "Estranhos Prazeres") e o menos aplaudido "Taking Woodstock", de Ang Lee (cujas sessões incluem a curta-metragem "Arena", de João Salaviza, premiada em Cannes).

 

E voltando à música... Mais a norte, no Porto, há Clubbing na Casa da Música com concertos de Ebony Bones e The Rakes. E se ainda for a tempo deles, pode ser que venha aqui contar como correram...

 

Sound & vision

As ideias são boas, mas não só não são novas como não foram aproveitadas de forma tão estimulante como o nome dos envolvidos sugeria. Foi esta a impressão que a colaboração entre os Micro Audio Waves e o coreógrafo Rui Horta, "Zoetrope", deixou na passagem do espectáculo pela Culturgest, em Lisboa, na quinta-feira passada.

 

Não se assumindo como um concerto, uma peça teatral ou uma instalação vídeo, este é um híbrido que funde traços de tudo isso, onde as canções da banda se conjugam com as imagens projectadas nas três telas atrás do palco (algumas gravadas no momento).

Entre estas surgem vários interlúdios com divagações dos elementos do grupo (principalmente da vocalista, Cláudia Efe), que reforçam a atmosfera densa e algo onírica do espectáculo.

 

 

A infância, a linguagem, o sonho, o movimento ou o medo são apenas algumas das temáticas que esta viagem propõe, de onde emana um intimismo que se pretende de apelo universal - não por acaso, algumas das sequências de animação tanto focam um quarto escuro como aglomerações de estrelas.

Esta simbologia nem sempre é muito subtil, embora não seja por isso que "Zoetrope" fique um pouco aquém do que poderia esperar.

Por um lado, a sua vertente multimédia não traz nada assim tão arrojado - o facto da banda se fotografar ou filmar em palco (ou ao público) é pouco mais do que um pormenor curioso e a maioria das restantes imagens que passam pelas telas também não são muito impressionantes.

 

Por outro, as novas canções dos Micro Audio Waves convencem mas não atingem, pelo menos ao primeiro embate, o nível das melhores de "Odd Size Baggage" - a excepção é "Sunshine Sunlight", magnífica criação pop que está no centro de um dos raros episódios (literalmente) reluzentes do espectáculo.

E embora conte com um ou dois momentos mais abrasivos, "Zoetrope" perde por não ter temas tão viscerais como "2night (U&I)" ou "Odd Size Baggage", que em concertos anteriores atiravam as actuações da banda para domínios de um musculado - e arrebatador - rock electrónico (do qual o grupo revelou querer afastar-se).

Aqui os ambientes são tendencialmente mais contemplativos e distantes, o que está muito longe de ser mau mas não esmaga a memória desse passado recente.

 

 

 

Quem se supera, contudo, é Cláudia Efe, que além da óptima e expressiva voz cativa pelas suas capacidades de performer, demonstrando uma carga teatral já presente em disco e alguns concertos e que tem agora oportunidade para se soltar.

É sobretudo pela sua presença que "Zoetrope" oferece alguns momentos hipnóticos, uma vez que a vocalista assumir a função de protagonista e a sua alternância de personas (com direito a trocas de indumentária entre o sombrio e o inocente) é interessante.

 

Pena que nem tudo o resto esteja à altura, tornando "Zoetrope" numa experiência que até pela duração (pouco mais de uma hora) acaba por saber a pouco - o que não o impede de ser um espectáculo com um rigor e sensibilidade estimáveis, sempre alicerçado em boas canções que merecem ser partilhadas com os seus autores num dos vários locais da digressão.

 

 

 

Excertos de "Zoetrope"

 

Luzes, câmaras... Zoetrope!

 

Finalmente chega a Lisboa Zoetrope, o muito elogiado espectáculo que associa os Micro Audio Waves a Rui Horta.

A aliança entre o trio de Claudia Efe, Flak e C. Morg e o coreógrafo está, segundo os próprios, "na origem de um concerto encenado, um híbrido entre música, movimento e multimédia".

 

O resultado desta colaboração estreou-se em Moscovo em Dezembro de 2008, já passou pelo Porto e poderá ser visto no Pequeno Auditório da Culturgest, em Lisboa, esta noite a partir das 21h30.

 

Se os concertos da banda já são por si só habitualmente imperdíveis, este espectáculo reforça o perfeccionismo e ainda tem a mais-valia de apresentar várias canções inéditas, criadas depois do recomendável "Odd Size Baggage" (2007), o terceiro disco do grupo - uma delas é a viciante "Sunshine Sunlight", que pode ser ouvida no myspace do grupo.

 

E quem não puder ver Zoetrope esta noite, fica a sugestão para as passagens por Frankfurt (dia 25), Guimarães (dia 28), Beja (3 de Março), Leiria (5 de Março), Torres Novas (14 de Março), Caldas da Rainha (4 de Abril), Montemor-o-Novo (16 de Abril), Portalegre (18 de Abril), Estarreja (25 de Abril) ou Gijon (1 de Maio).

 

 

Making of de Zoetrope