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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

De ver e gritar por mais

Até domingo, a Avenida da Liberdade volta a ser a zona mais assustadora da capital com a nona edição do MOTELx, que como já vai sendo habitual traz longas e curtas metragens, documentários, sessões especiais, uma secção infantil, novidades e recordações directamente do baú. Da sugestão ao gore, a escolha é relativamente farta, mas para já ficam por aqui três portas de entrada para os próximos dias no Cinema São Jorge:

 

the_visit

 

"A VISITA", de M. Night Shyamalan (sessão de abertura: terça, 8, às 21h30): O autor de "O Sexto Sentido", "A Vila" ou "O Protegido" já teve melhores dias, mesmo nunca tendo sido um cineasta propriamente consensual. Ainda assim, na altura de eleger os seus piores filmes,"Depois da Terra" e "O Último Airbender", os dois últimos, são quase sempre as primeiras escolhas. "A Visita" pode ser, no entanto, a obra que faz a diferença e inverte o declínio criativo. De certa forma, isso já aconteceu com "Wayward Pines", série que teve o seu nome na produção executiva e realização do episódio piloto. Sem estar ao nível dos seus filmes mais aconselháveis, denunciava a sua influência (sobretudo de "A Vila") e fazia esperar coisas mais intrigantes. E a nova longa-metragem consegue pelo menos isso, intrigar, a julgar por um trailer que aponta para uma obra mais modesta do que o habitual, dos valores de produção ao elenco de desconhecidos, e lembra a estética de outros títulos da distribuidora, a Blumhouse Pictures, casa de "Actividade Paranormal" e "Insidious". Histórias de fantasmas familiares em localidadezinhas quase abandonadas já deram filmes que meteram medo por bons e maus motivos, e espera-se sinceramente que este regresso esteja nos do primeiro grupo...

 

Photo by Suzanne Tenner

 

"BURYING THE EX", de Joe Dante (quinta, 10, às 19h15): Tal como Shyamalan, o realizador de "Gremlins, o Pequeno Monstro" já parece ter vivido os seus momentos de glória - e há mais décadas. Filmes a milhas do cinema de terror, como "Pequenos Guerreiros" ou "Looney Tunes: De Novo em Acção", foram simpáticos e inteligentes, mas não ficaram para a história. O mais recente "Medos" (apesar de tudo, já de 2009) passou ao lado e desde então o trabalho do norte-americano tem sido visto no pequeno ecrã - de séries como "Splatter", que não passou por cá, a... "Hawai Força Especial" (!). "Burying the Ex" tem a particularidade de apostar numa fórmula que já lhe correu bem: a combinação de terror e humor (no caso, comédia romântica) em terreno adolescente (no caso, a obsessão de uma rapariga morta pelo namorado). Há quem o compare a "Shaun of the Dead", não de forma muito abonatória, mas parece minimamente curioso...

 

Green_Room

 

"GREEN ROOM", de Jeremy Saulnier (sábado, 12, às 00h15): Depois de uma estreia não muito falada, com "Murder Party", Saulnier despertou mais atenções há dois anos com "Ruína Azul", thriller escorreito e minimalista muito ancorado na interpretação de Macon Blair mas a revelar também um olhar de realizador na forma de filmar os espaços e os corpos. A boa reputação do canadiano tem-se mantido nesta terceira obra, desta vez centrada num colectivo, uma banda punk encurralada por um bando de skinheads depois de ter testemunhado um crime. Patrick Stewart é um dos nomes do elenco, com uma personagem levada ao extremo, e resta saber se o filme consegue ir além do exercício de estilo esmerado, mas também algo calculista, do seu antecessor.

 

Os Amigos de Tyler

 

No site do MOTELx lê-se que "The Corridor" oscila entre o drama de "Os Amigos de Alex" e o terror de "A Cabana no Medo". Uma combinação deste género, se por um lado desperta curiosidade, também é uma aposta no mínimo arriscada, mas o canadiano Evan Kelly consegue defendê-la - por vezes muito bem - nesta sua primeira obra.

 

"The Corridor" será mais um filme fantástico do que especialmente de terror, embora o seu realizador não pareça importar-se muito com rótulos - e é esse carácter híbrido que o torna numa obra tão comovente quanto desconcertante.

 

Na primeira metade, a narrativa parece ter qualquer coisa de auto-biográfico (e talvez tenha mesmo), tal o à vontade que Kelly mostra ao desenvolver a história de cinco amigos que passam o fim-de-semana numa casa isolada nas montanhas, durante o Inverno.

O objectivo é sobretudo reconfortar um deles, Tyler, que tenta retomar a vida após a morte da mãe, na qual esteve envolvido. Mas quando Tyler parece estar mais próximo da sanidade depois de um internamento num manicómio, o retiro acaba por lhe reservar uma boa dose de episódios bizarros.

 

Felizmente, "The Corridor" não entrega essa estranheza de bandeja e preocupa-se em olhar para as personagens antes de tudo o resto. E se o argumento já tratava de as diferenciar sem cair em lugares comuns (sugeridos ao início), as interpretações estão uniformemente à altura - acreditaríamos se nos dissessem que estes actores são realmente amigos.

É verdade que, na recta final, não será difícil adivinhar quais as personagens que o filme trata de despachar primeiro - e é também que aí que a narrativa perde alguma da subtileza das primeiras sequências. Mas nada disso deita abaixo a inteligência de um filme que, além de intrigante, é um dos mais belos olhares sobre a amizade dos últimos tempos.

 

 

Vai um susto?

 

Ora então o que é que temos no MOTELx deste ano? Tal como nas três edições anteriores, o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, que arranca hoje no Cinema São Jorge, traz não só obras mas também algumas presenças de consagrados e promessas na arte de bem assustar.

 

George A. Romero é o realizador em destaque na secção Culto dos Mestres Vivos e, além de ter filmes (dos antigos aos recentes) em exibição, participa numa sessão de perguntas e respostas de entrada livre - dia 3 de Outubro às 16h30.

 

Outro nome forte é Neil Marshall, que assinou aquele que ainda é dos filmes mais arrepiantes dos últimos tempos, "A Descida".

O sucessor, "Doomsday", não manteve a fasquia, mas talvez "Centurion" compense essa semi-desilusão - as dúvidas podem tirar-se dia 2 às 22h45 na estreia nacional do filme. Além de trazer a sua nova obra, Marshall participa no painel de discussão Brit Horror juntamente com outros realizadores britânicos - dia 2 às 19h15, com entrada gratuita.

 

O novo cinema de terror britânico é, aliás, o tema da secção Serviço de Quarto, mas quem preferir terror nipónico pode acompanhar a secção Japão Retro. E como já é habitual, a programação inclui ainda curtas-metragens nacionais e internacionais.

O cinema português está ainda presente na sessão de abertura com "Noite Sangrenta", de Tiago Guedes e Frederico Serra (os realizadores de "Coisa Ruim"), mais logo a partir das 21h45. A programação completa pode espreitar-se aqui e promete bons filmes e bons sustos até domingo.

 

Noites (e tardes) escuras

 

Há quatro anos, a primeira longa-metragem do australiano Greg McLean, "Wolf Creek", supreendeu meio mundo (e assustou outro) num dos filmes de terror mais memoráveis desta década.

 

Essa boa reputação (Tarantino, por exemplo, foi um dos fãs) talvez explique o facto do seu novo filme, "Rogue", ter agora honras de abertura na terceira edição do MOTELx - esta noite às 21h30, na sala 1 do Cinema São Jorge.

 

O Festival de Cinema de Terror de Lisboa mantém-se na Avenida da Liberdade até dia 6 e, além de vários títulos inéditos em Portugal, propõe uma sessão-concerto com Legendary Tiger Man e Rita Redshoes (quinta-feira às 21h45 na sala 3), apresentações de uma fanzine e de um videojogo ou as masterclasses de Stuart Gordon (sábado às 19h15 na sala 2) ou John Landis (domingo às 19h15 na sala 2), ambas de entrada livre.

 

Os horários e programação completa podem ser vistos no site oficial, e para recordar alguns destaques da edição do ano passado basta clicar aqui.