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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Sem este disco, muitas adolescências não teriam sido o que foram

Without You I'm Nothing

 

Depois de uma estreia que não passou despercebida, o segundo álbum dos PLACEBO consolidou o culto em torno da banda de Brian Molko com algumas das suas canções-chave e um reforço da introspecção. Editado em 1998, "WITHOUT YOU I'M NOTHING" faz 20 anos este mês e continua a ser dos melhores testemunhos rock do seu tempo.

 

Entre as primeiras partes da digressão dos U2 ou o convite de David Bowie para a parceria num tema (o que deu nome ao segundo disco), os PLACEBO deram um passo de gigante entre 1996 e 1998, datas de edição dos álbuns que inauguraram o seu percurso. E reforçaram o lugar entre os nomes que acabariam por dizer muito a uma imensa minoria (predominantemente adolescente) na recta final dessa década.

 

Mas apesar de ter sido bem sucedido, e tão bem acolhido por boa parte da crítica como dos fãs, "WITHOUT YOU I'M NOTHING" não deixou de ser um difícil segundo álbum. A relação atribulada da banda de Brian Molko, Stefan Olsdal e Steve Hewitt com o produtor Steve Osbourne terá levado a que o vocalista ainda hoje não coloque o disco entre os seus favoritos, tendo até lamentado o excesso de temas mais lentos face ao registo de estreia. Já grande parte dos seus admiradores tende a discordar e o álbum é muitas vezes apontado como o testemunho essencial do percurso dos PLACEBO - mesmo que o seguinte, "Black Market Music" (2000), tenha proposto outro grande passo em frente antes de sucessores algo irregulares.

 

Placebo 1998

 

A força de "WITHOUT YOU I'M NOTHING" nasceu, aliás, da conjugação da urgência dos primeiros dias do trio - mantida em "You Don't Care About Us", "Brick Shithouse" ou "Scared of Girls" - com uma vertente contemplativa e  vulnerável, mais devedora de alguns ambientes góticos e new wave do que de escolas do rock alternativo dos anos 90 - "Ask for Answers", "My Sweet Prince" ou "Burger Queen" mostraram em pleno uns PLACEBO que o primeiro álbum sugeria timidamente em desvios na linha de "Hang On to Your IQ".

 

A unir estes extremos sonoros manteve-se a escrita de Brian Molko, novamente a passar pela solidão e inquietação com alusões directas às drogas ou ao sexo - e a relações homossexuais, tendo ele composto parte das canções pouco depois do seu coming out. A sua androginia vocal e visual confirmaram-se como parte da identidade do grupo e reforçaram um lugar próprio face a outras bandas de finais dos anos 90, sem parentes óbvios no cenário pós-grunge e pós-britpop.

 

Para os mais cépticos, uma sequência incrível como a de "Allergic (To Thoughts of Mother Earth)"/ "The Crawl"/ "Every You Every Me" tratou de assegurar que a música contava, ainda assim, mais do que a imagem (por muito impacto que um videoclip como o de "Pure Morning" tenha tido). E 20 anos depois, continua a estar aqui um dos episódios mais fascinantes da história dos PLACEBO.

 

 

 

Entre a melancolia e a festa, o melhor e o nem por isso

Placebo_Foto de Rita Sousa Vieira

 

Vale a pena celebrar os 20 anos do álbum de estreia dos PLACEBO - e por arrasto, da carreira da banda? Claro que sim, mas Brian Molko e Stefan Osdal fizeram uma revisitação tímida dos seus primeiros discos, esta semana em Lisboa, num concerto que também contou com o pior (leia-se canções mais recentes) do grupo. Recordo a noite no Coliseu dos Recreios neste artigo do SAPO Mag.

 

1998 ligou (e tem novidades)

placebo_1998

 

Numa altura em que comemoram os 20 anos da edição do álbum de estreia, com direito a digressão de revisão da matéria e nova compilação, os PLACEBO mostram que ainda são capazes de surpreender. Não pelo novo single - "Jesus' Son" só vem confirmar o travo de desilusão dos últimos discos -, mas por darem uma prenda esquecida aos fãs.

 

Parece que continua a ser preciso ir ao fundo de catálogo para encontrar motivos de interesse em torno da banda de Brian Molko, e o novo (velho) videoclip de "EVERY YOU EVERY ME" é exemplo disso. Deixado na gaveta durante 18 anos, uma vez que o grupo apostou numa versão com imagens ao vivo para promover o single, o vídeo segue o trio num casino e tanto lembra alguns filmes de culto da altura - "Rounders", de John Dahl, ou "Hard Eight", de Paul Thomas Anderson - como parece antecipar alguns ambientes do videoclip de "Taste in Men".

 

O jogo de ambiguidades e figuras siamesas em cena está em sintonia com a capa do segundo álbum dos britânicos, "Without You I'm Nothing", do qual a canção foi retirada. O disco, talvez o ponto alto do percurso dos PLACEBO - numa época em que tinham a benção de Bowie ou dos U2 -, foi também dos mais aconselháveis de 1998, o que não é dizer pouco já que não faltaram álbuns de recorte superior nesse ano (como os dos Massive Attack, Smashing Pumpkins, Garbage, PJ Harvey, Hole ou Madonna podem atestar). Enquanto não chega o momento de o revisitar oficialmente - adivinha-se outra digressão nostálgica quando chegar aos 20 anos em 2018 -, o videoclip é um belo pretexto para ir voltando a ele e a a uma fase em que tudo aqui fazia sentido:

 

 

Discos dos 00s (5): "Black Market Music"

 

Álbum: "Black Market Music", 2000

Artista: Placebo

 

"Without You I'm Nothing" (1998) já era um grande disco, mas o terceiro álbum dos Placebo conseguiu elevar ainda mais a fasquia e continua a ser a obra-prima do trio.

 

Muito longe do desgaste dos registos mais recentes, aqui as canções mostram-se mais negras e sedutoras do que nunca, tanto as que permanecem fiéis aos modelos dos primeiros dias como as que acolhem saudáveis contaminações electrónicas (que nunca roubam o protagonismo às guitarras).

 

Ecléctico mas coeso, "Black Market Music" ancora-se, tal como os antecessores, na densidade (e ambiguidade) lírica e interpretativa de Brian Molko, aqui menos colada a influências (assumidas) e mais capaz de definir um rumo próprio e intrigante. Perderia esse encanto poucos álbuns depois, é certo, mas aqui mantém-se ainda muito aconselhável.

 

 

Placebo - "Taste in Men"