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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Há uma nova lenda a descobrir no pequeno ecrã

Alerta de nova saga de animação para adultos no streaming. Depois de "A Lenda de Vox Machina", a Prime Video estreia "THE MIGHTY NEIN", outra série ambientada no mesmo universo - e a julgar pelos primeiros episódios, igualmente recomendável.

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Sem ser uma sequela de "A Lenda de Vox Machina", a mais recente aposta da Critical Role Productions também decorre em Exandria, o mundo fictício que acolheu essa combinação de aventura, fantasia e humor ancorada na mitologia de "Dungeons & Dragons" e já a caminho da quinta e última época na Prime Video. 

Em "THE MIGHTY NEIN", a acção decorre 20 anos depois dos eventos da saga anterior e noutro continente, Wildemount, apresentando novas figuras e conflitos em jogo. A tensão não demora a instalar-se: há uma guerra à beira de acontecer entre dois grandes impérios, com rastilho no roubo de uma relíquia tão valiosa como perigosa. Quem a quer e para quê? O primeiro dos oito episódios da primeira temporada responde logo nos minutos iniciais, mas a pergunta tem impacto prolongado no destino dos protagonistas.

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Isoladas e solitárias à partida, as personagens principais acabam por se ir encontrando graças a um "macguffin" aproveitado de forma hábil pelo argumento. A equipa de desajustados não muito heróicos que dá nome à série só é formada no quarto episódio (ainda assim, contando com apenas seis dos sete membros finais), o que permite que o espectador as vá conhecendo a solo ou em duplas com dinâmicas carismáticas.

Entre humanos, ogres híbridos, duendes e tieflings (raça humanóide com chifres e cauda) que se distinguem pelas capacidades de combate ou de magia, o grupo é tão diverso como atribulado, com diferenças de temperamento, personalidade e motivações que lembram os defensores do reino hesitantes de "A Lenda de Vox Machina" (ou, noutro contexto, o misto de abraço e discórdia dos filmes "Os Guardiões da Galáxia" ou da série "Creature Commandos", ambos de James Gunn, nos campeonatos Marvel e DC, respectivamente).

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Mas se, também como na série anterior, há protagonistas mais sisudos e outros a fornecerem alívio cómico (às vezes até demais, como a sempre empolgada Jesper), esta é uma equipa substancialmente distinta numa saga decidida a seguir o seu próprio caminho: a aposta desenvolvida por Tasha Huo ("Tomb Raider: The Legend of Lara Croft") assenta em episódios mais longos (cerca de 60 minutos) e numa narrativa mais fragmentada (que felizmente confia na capacidade de atenção do espectador, evitando redundâncias explicativas).

E nem é preciso ter visto "A Lenda de Vox Machina" para entrar sem dificuldades no mundo de "THE MIGHTY NEIN", apesar de alusões pontuais a geografias, práticas ou dinastias (como a de de Rolo) características de Exandria. Mas será seguro dizer que quem gostou de uma, irá aderir sem grandes reservas a outra, até pelas aproximações de género e tom ou do estilo de animação (mais uma vez, a cargo dos estúdios independentes Titmouse). 

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Componente especialmente importante aqui, as vozes são as dos actores que já tinham dado uma primeira vida a estas personagens na websérie "Critical Role", que os acompanhava a jogar "Dungeons & Dragons" (iniciada em 2018 e concluída em 2021). A eles juntam-se nomes como Lucy Liu, Mark Strong e Nathan Fillion, convidados para figuras secundárias e a reforçar o entusiasmo inicial em torno deste novo capítulo. 

"THE MIGHTY NEIN" estreou-se na Prime Video a 19 de Novembro. A plataforma de streaming estreia novos episódios às quartas-feiras.

Kate Winslet trocou de turno com Mark Ruffalo

Quatro anos depois de "Mare of Easttown", chegou uma nova minissérie criada por Brad Ingelsby. "TASK", aposta forte da HBO Max, mantém-se no território do drama policial e, em vez de Kate Winslet, tem agora Mark Ruffalo a conduzir uma investigação. Os primeiros episódios são dos melhores a espreitar nesta rentrée televisiva.

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Outra vez a Pensilvânia, outra vez um crime a dar o mote, outra vez um realismo suburbano pintado de tons sépia num convite à melancolia (para não dizer à depressão). Ao primeiro embate, "TASK", thriller dramático sucessor da elogiada "Mare of Easttown" (2021), não parece querer desviar-se muito do registo com o qual o argumentista e produtor Brad Ingelsby se estreou nas séries depois de um percurso no cinema.

Mas os dois episódios iniciais da nova coqueluche da HBO Max também não demoram a insinuar que as diferenças podem ser maiores do que as semelhanças. Se Mark Ruffalo funcionará como chamariz para muitos espectadores (tal como Kate Winslet há quatro anos), o protagonismo é dividido com Tom Pelphrey, nome menos sonante mas que já tinha deixado boas memórias, por exemplo, na terceira temporada de "Ozark" (série da Netflix na qual encarnou o irmão da personagem de Laura Linney).

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Entre as histórias profissionais e familiares de um de outro, respectivamente polícia e ladrão, "TASK" começa por moldar uma simetria narrativa na qual vai sendo difícil separar bons, maus e vilões. Essa ambiguidade moral já é palpável no primeiro capítulo e adensa-se no segundo, quando entram em cena mais figuras de um bairro de Filadélfia marcado por assaltos a casas de traficantes de droga por parte de homens mascarados.

Com uma moldura dramática ambiciosa, a saga de sete episódios contrasta integridade e vingança ou culpa e redenção em histórias de pais e filhos nas quais o trauma e a violência são denominador comum. E tanto o argumento como a direcção de actores jogam a favor de personagens que desafiam estereótipos, mesmo que Ingelsby não pareça querer reinventar a linguagem do procedural. Também nem precisa: da realização astuta de Jeremiah Zagar ("We Are the Animals") à banda sonora densa e exploratória q.b. de Dan Deacon, "TASK" afirma-se como um retrato adulto e exigente, capaz de gerar tensão tanto através de uma conversa num jantar de família como em sequências de suspense a altas horas.

Felizmente, este arranque também é temperado por algum humor, sobretudo nas cenas com a jovem equipa que ajuda o agente do FBI encarnado por Ruffalo. Entre os novos investigadores está Fabien Frankel, bastante mais à vontade aqui do que como Criston Cole em "House of the Dragon" (também da HBO Max). Outro nome a destacar, Emilia Jones é tão brilhante como comovente na pele de uma mulher obrigada a crescer demasiado rápido. Ruffalo está muito bem acompanhado, portanto.

"TASK" estreou-se na HBO Max a 8 de Setembro. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as segundas-feiras.