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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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As novas mutantes

E se os X-Men fizessem parte dos mundos de "Bridgerton" ou "Downton Abbey"? O resultado talvez não andasse longe de "THE NEVERS", a nova série com o toque de Joss Whedon. O primeiro episódio já chegou à HBO Portugal e propõe um arranque convidativo.

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Quando há cada vez mais grandes produções de acção ou ficção científica a apostar em protagonistas femininas como se fosse o último grito (e às vezes sujeitas a versões redundantes de personagens masculinas), Joss When está aí para provar que essa tendência não será surpresa para alguém com "Buffy - A Caçadora de Vampiros", "Angel" ou "Firefly" no currículo. O que não o impede de voltar a apostar numa saga com várias mulheres no centro e nos dois (ou mais) lados de uma barricada que se instala na Londres vitoriana.

"THE NEVERS", a nova criação do realizador de "Os Vingadores", que também é aqui showrunner e um dos argumentistas e produtores executivos, apresenta a capital britânica em modo steampunk nos finais do século XIX e acompanha as consequências de uma noite vincada por um fenómeno invulgar. Além de ter iluminado o céu fora de horas, o acontecimento concedeu capacidades especiais a dezenas de londrinos, sobretudo mulheres, e ameaça trazer uma nova ordem que distingue os "tocados" das pessoas comuns.

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Apesar de a luta de classes estar no ADN de muitas produções britânicas de época, a série norte-americana sugere que esse não é o único combate que vai ser travado nestas aventuras. O primeiro episódio, um dos três dirigidos por Whedon, mostra que o patriarcado também fica em causa com a ascensão iminente de uma minoria expressiva de marginalizados, embora não faltem diferenças de comportamento e de posicionamento moral entre a nova subclasse.

A entrada no mundo de "THE NEVERS" faz-se através da rotina de duas mulheres que trabalham num orfanato destinado a crianças e adolescentes com capacidades especiais. E se esse centro de acolhimento lembra a escola para jovens sobredotados de Charles Xavier (o mentor dos X-Men), a dinâmica entre as duas protagonistas tem sido comparada por alguns fãs à de Buffy e Willow. Outro elemento familiar é a recriação de época, que não fica a dever nada à de muitas representantes da "qualidade BBC", embora também não se distinga da maioria delas - dos cenários e guarda-roupa à fotografia de tons sombrios.

Mas essas aproximações não são necessariamente uma limitação: ao longo da primeira hora, Whedon é bastante desenvolto a apresentar uma galeria de personagens extensa e variada q.b., estabelecendo relações e conflitos que convidam a querer saber mais sobre este universo e estas pessoas. Os actores respondem à chamada com entusiasmo e afinco, em especial Laura Donnelly na pele da esquiva e expedita Amalia True, uma das protagonistas, e os diálogos são mais ágeis do que os de muitos arranques de sagas comparáveis.

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"THE NEVERS" faz bem ao não perder muito tempo com explicações e sequência inicial é um óptimo exemplo: passam quase cinco minutos até que uma personagem diga uma palavra, cabendo às imagens dar as boas vindas a esta Londres.

A realização não brilha tanto em algumas cenas de acção, mais atabalhoadas, mas também não trai o potencial de uma saga a acompanhar numa primeira leva de seis episódios. Os restantes capítulos da temporada devem chegar mais para o final do ano, já sob o comando da britânica Philippa Goslett (co-argumentista de "Como Falar Com Raparigas em Festas", de John Cameron Mitchell), a substituta de Whedon como showrunner após a desistência deste - que alegou ter tido o seu trabalho demasiado afectado pela pandemia. Mutatis mutandis? É continuar a ver para descobrir.

O primeiro episódio de "THE NEVERS" está disponível na HBO Portugal desde 12 de Abril. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as segundas-feiras.

Chegar, ver e vencer

Mais uma série de super-heróis? É verdade, mas há bons motivos para não deixar passar "INVINCIBLE", cujos três primeiros episódios já chegaram ao Amazon Prime Video - e com direito a uma viragem de tom desconcertante logo no capítulo inicial.

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Depois de "The Walking Dead" e "Outcast", há mais uma saga de Robert Kirkman a saltar da BD para o pequeno ecrã. Editada pela Image Comics entre 2003 e 2018, a revista "INVINCIBLE" durou 144 edições e contou a história de um adolescente norte-americano que tem o fardo de ser o único filho do maior super-herói do planeta. Ao longo de 15 anos, Kirkman acompanhou a entrada na idade adulta do protagonista, Mark Grayson, e moldou um universo complexo e personalizado, que partiu dos códigos das aventuras de super-heróis para os desconstruir aos poucos - enquanto se desviou de um tom ligeiro para cenários mais negros.

Encerrada a saga na BD (também aí a demarcar-se das cronologias intermináveis da Marvel ou da DC), "INVINCIBLE" ganha nova vida numa série de animação, para já através de uma primeira temporada de oito episódios. Animação para adultos, entenda-se, embora o contacto inicial possa levar ao engano, tanto pelo estilo visual adoptado (a lembrar adaptações para toda a família) como pela história coming of age num ambiente de liceu que ocupa grande parte do primeiro episódio.

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Admita-se que a animação podia ser mais sofisticada e inventiva, do desenho das personagens aos cenários, sobretudo quando Cory Walker, artista que criou este universo com Kirkman na BD, também está na equipa criativa da série. Mas se "INVINCIBLE" não impressiona especialmente nesse aspecto, tem outros trunfos que a ajudam a ganhar a aposta em episódios mais longos do que os 30 minutos habituais em séries animadas.

Os primeiros capítulos são muito bons a apresentar o mundo de Mark, do núcleo familiar ao escolar, passando pela descoberta dos seus superpoderes e pelo contacto com outras pessoas com capacidades especiais, de super-heróis a supervilões. As vozes das personagens ajudam, com Steven Yeun, J.K. Simmons, Sandra Oh, Zachary Quinto, John Hamm ou Seth Rogen (que também é produtor executivo) entre os actores convocados. E se por um lado há aqui muito de reconhecível - os dilemas juvenis lembram os de Peter Parker/Homem-Aranha, as origens do pai devem muito ao Super-Homem -, há tanto ou mais de subversivo, sem que "INVINCIBLE" deixe de ser uma carta de amor ao género (não se notam, por exemplo, sinais do cinismo de "Watchmen").

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Os minutos finais do primeiro episódio prometem tirar o tapete debaixo dos pés aos espectadores que nunca tenham lido a saga, e mesmo os que leram talvez fiquem surpreendidos ao verem que esse momento decisivo chegou tão cedo. Na BD, a tensão foi construída de forma gradual, com os primeiros números a adoptarem um tom mais bem humorado. Já a série diz logo ao que vem e faz conviver um relato quase inocente com um disparo repentino de ultraviolência, mantendo uma história com coração e sentido lúdico - e Kirkman mostra mão segura em todas as vertentes, nunca forçando a nota nesse balanço.

Depois de "The Boys" ter mergulhado no lado negro do super-heroísmo (ou do poder em geral), curiosamente também com uma versão muito livre da Liga da Justiça no centro da trama, o Amazon Prime Video abre a porta a outro universo que foi fértil na BD e tem tudo para correr bem na TV. Por agora, é das estreias mais empolgantes e carismáticas do trimestre...

Os três primeiros episódios de "INVINCIBLE" estão disponível no Amazon Prime Video desde 26 de Março. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as sextas-feiras.

Amigos improváveis

A Marvel soma e segue com mais uma produção acabada de estrear no Disney+. "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" é a nova minissérie da plataforma de streaming e junta os dois maiores aliados do Capitão América numa aventura partilhada. Mesmo sem Steve Rogers, o arranque gera alguma expectativa...

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Os fãs ainda mal tiveram tempo de digerir o final de "WandaVision" e já há mais uma nova saga do Universo Cinematográfico Marvel a arrancar. "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" tem a difícil (mas não impossível) missão de suceder a essa minissérie, uma das adaptações de super-heróis mais populares e elogiadas dos últimos tempos, e não parece trazer tantas cartas na manga para quem procura variações a uma fórmula já testada e muito (demasiado?) implementada.

Mas o facto de ter um arranque mais convencional não implica que esta proposta seja necessariamente mais do mesmo. Sim, os minutos iniciais do primeiro episódio sugerem estar aqui um concentrado de acção, ao servirem uma sequência de perseguição e combate aéreos que não destoaria no grande ecrã, atirando o Falcão (e o espectador com ele) para uma introdução frenética. E se o Soldado do Inverno também tem direito a mostrar o que vale no terreno, em cenas apesar de tudo mais contidas (e em espaços fechados), estes seis episódios parecem apostar mais em descobrir quem são os homens por detrás destes nomes de código do que limitar-se a acompanhá-los no campo de batalha.

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Os dois protagonistas, até aqui secundários em filmes dos Capitão América ou dos Vingadores, foram das personagens menos exploradas (e também por isso, das menos interessantes) do Universo Cinematográfico Marvel. Mas agora não só têm tempo e espaço para brilhar como contam com um desenvolvimento promissor no início desta saga conjunta, cuja acção lida directamente com as consequências de "Vingadores: Endgame" (2019).

Sam Wilson/Falcão tenta refazer a vida depois de ter sido "apagado" por Thanos durante cinco anos, regressando às origens e à família em Nova Orleães enquanto se mantém firme em não suceder a Steve Rogers (apesar do voto de confiança deste). Bucky Barnes/Soldado do Inverno, por outro lado, tem dilemas ainda maiores quando não consegue ultrapassar o trauma de uma vida como agente da HYDRA (nem com a culpa, apesar de o ter sido contra a sua vontade).

Embora a dupla conte com uma jornada pessoal no primeiro episódio, o cruzamento dos seus destinos nos próximos não só é inevitável como vai dar seguimento a uma dinâmica que está longe de ter sido das mais amigáveis. Malcolm Spellman, o criador da série (e de "Empire" antes dela), tem falado da influência de vários buddy movies, que ajudará a dar o tom aos próximos capítulos. Para já, "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" sai-se bem a estabelecer tanto dilemas mundanos - das limitações financeiras de Sam aos relacionamentos de Bucky - como ameaças globais - ao colocar em jogo uma nova organização de fanáticos anarquistas que reflecte o clima de teorias da conspiração e de fake news propagadas online.

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Quem procurar uma série de super-heróis mais disruptiva e enigmática, com uma direcção artística primorosa acompanhada de ironia e metalinguagem no enredo, fará melhor em (re)ver "WandaVision" (por muito que o final tenha decepcionado). Mas a nova aposta não deixa de ter um início seguro dentro daquilo a que se propõe, até porque a realizadora, Kari Skogland ("A História de uma Serva", "Vikings"), revela especial sensibilidade para os momentos mais intimistas.

Espera-se que o estudo de personagens e a entrega de Anthony Mackie (Sam Wilson) e Sebastian Stan (Bucky Barnes) não sejam eclipsados pela pirotecnia, como aconteceu com alguns filmes deste universo. Sobretudo porque, além dos protagonistas, "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" também deverá olhar com mais atenção para os regressados Sharon Carter (Emily VanCamp) e Zemo (Daniel Brühl), figuras que se juntam aqui a Joaquin Torres (Danny Ramirez) e John Walker (Wyatt Russell), duas caras novas apresentadas no primeiro episódio (cujos nomes não serão estranhos a muitos fãs destas aventuras na BD). Em todo o caso, teremos sempre "Viúva Negra", já em Maio, ou "Loki", em Junho, entre outras estreias da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel a aguardar este ano...

O primeiro episódio de "O FALCÃO E O SOLDADO DO INVERNO" está disponível no Disney+ desde 19 de Março. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as sextas-feiras.

OK zoomer

A nova série estreada na HBO Portugal promete um olhar incisivo e autêntico sobre a geração Z, ao qual não falta diversidade nem uma adolescente entre os autores. Mas os primeiros episódios de "GENERA+ION" não vão muito além de uma variação menor de retratos juvenis já vistos - alguns até na mesma plataforma de streaming.

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A ideia para "GENERA+ION" partiu de Zelda Barnz, argumentista de 19 anos que convenceu os pais a apostarem numa comédia dramática centrada em jovens nascidos no início deste milénio. Daniel Barnz, realizador de "Beastly - O Feitiço do Amor" ou "Cake - Um Sopro de Vida", acabou por ser o outro criador da série, dirigindo também alguns dos oito episódios da primeira temporada, com Ben Barnz a juntar-se enquanto produtor executivo. E ficaria quase todo em família, não fosse o contributo de Lena Dunham. A autora de "Girls" é outra das produtoras executivas do projecto da HBO Max e a sua voz também é evidente num relato que acompanha uma nova geração norte-americana.

Ao contrário de "Girls", ambientada em Nova Iorque, "GENERA+ION" tem epicentro narrativo num liceu de Los Angeles, mas mantém a faceta autocentrada e muitas vezes exasperante dos seus protagonistas. É, no entanto, mais abrangente no universo de figuras que segue, com um grupo de personagens principais maioritariamente LGBTQI+ e de origens sociais e culturais distintas. Só que os primeiros três episódios, estreados na passada sexta-feira, não tiram tanto partido dessa diversidade como poderiam, com o argumento a confundir quase sempre rasgo criativo com irreverência e provocação forçadas.

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O subenredo de uma adolescente grávida que entra em trabalho de parto numa casa de banho pública vai sendo desenvolvido, aos poucos, no início dos primeiros episódios, junta três das personagens mais caricaturais da série e, apesar da situação aflitiva, tem um tom mais sarcástico do que dramático. O que não é necessariamente uma má opção, mas aqui torna um cenário-limite em mais um momento de inconsequência narrativa, limitando-se a dar o mote a um jogo de avanços e recuos temporais - feitos com alguma habilidade e sentido lúdico, embora não acrescentem muito ao que "GENERA+ION" tem a dizer.

Se as três amigas que participam nessa introdução nunca chegam a ganhar grande densidade, a série mostra-se mais promissora ao conseguir explorar a vida interior de outros protagonistas. Chester, um dos mais intrigantes, tem felizmente mais tempo de antena e desvia-se do lugar comum do adolescente queer marginalizado. Pelo contrário: apesar de resistir a uma lógica de identidade de género binária, dos códigos de vestuário aos comportamentais, é dos estudantes mais populares e respeitados do liceu, sendo ainda o melhor atleta da equipa de pólo aquático. Interpretado com convicção por Justice Smith, resulta talvez no desempenho mais forte do actor que já tinha começado muito bem na série "The Get Down" e testou outros registos em blockbusters como "Mundo Jurássico: Reino Caído" ou "Pokémon Detective Pikachu".

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Greta (Haley Sanchez), uma adolescente latino-americana que se debate com a sua orientação sexual enquanto a mãe foi deportada, é outra figura que deixa alguma curiosidade em torno dos próximos episódios, até por ser das poucas que não insistem em disparar farpas. E traz uma bem-vinda gravidade a um argumento que ameaça esgotar-se na obsessão por sexo, charros e redes sociais, sem dizer nada sobre esses temas que outras séries não tenham dito antes e melhor.

"GENERA+ION" vai ter de fazer mais para se elevar acima da concorrência recente, muita também disponível na HBO Portugal. Embora não se leve tão a sério como "Euphoria", não está assim tão longe do drama protagonizado por Zendaya, altos e baixos incluídos. E fica, para já, muito aquém do patamar da infelizmente menos vista "We Are Who We Are", que levou a descoberta sexual e conflitos geracionais para outro nível dramático e estético. "Industry", na qual Lena Dunham também colaborou, trocou a adolescência pelos primeiros anos da idade adulta com mais foco e personalidade. De resto, e indo atrás alguns anos, nada do que aqui se vê será muito transgressor para gerações que viram "Skins", seja a versão britânica ou americana (já para não dizer "Kids", de Larry Clark, no grande ecrã). Ou se calhar só precisamos de lhe dar algum tempo para crescer...

Os três primeiros episódios de "GENERA+ION" estão disponíveis na HBO Portugal desde 11 de Março. A plataforma de streaming estreia novos episódios todas as quintas-feiras.

Mãe há só uma

Embora conte com mais de dez filmes no currículo, o japonês Tatsushi Ohmori será pouco ou nada familiar para os espectadores portugueses. Uma falha agora colmatada graças à Netflix, que acolheu "LAÇO MATERNO", o seu novo drama - e um dos mais secos e angustiantes dos últimos tempos.

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Estudo de duas personagens unidas por uma relação tóxica, "LAÇO MATERNO" é um olhar sobre a manipulação e a codependência ancorado numa mãe que vive à margem da família e da sociedade, sem trabalhar nem ter residência fixa, e que arrasta consigo o filho para uma experiência de alienação sem que se vislumbre uma luz ao fundo do túnel.

Mãe há só uma, mas para o pequeno Shuei (que o filme acompanha da infância à adolescência), além da mãe não há mesmo mais nada - pelo menos até ao nascimento da irmã, que o leva a reavaliar uma rotina de abandono e precariedade.

Filme duro e implacável, "LAÇO MATERNO" deixa um relato sobre aqueles para quem o sistema prefere não olhar ou que não consegue salvar ainda que tente - a segurança social entra em cena a certa altura -, deixando perpetuar uma situação de abusos físicos e psicológicos sobre quem não sabe defender-se deles.

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Ohmori pode ser repetitivo ao passar essa mensagem, e talvez não precisasse de mais de duas horas para a transmitir - sobretudo quando o ritmo moroso nem sempre ajuda. Mas também é coerente ao não poupar os protagonistas nem os espectadores, numa narrativa com tanto de inquietante como de exasperante. O mais assustador, no entanto, é saber que parte de uma história verídica, num caso em que a realidade provavelmente ultrapassa a ficção.

Felizmente, o resultado, mesmo com desequilíbrios, mantém-se longe da linguagem de um telefilme de pretensões sociológicas: o realizador acompanha esta mãe em roda livre, na sua frieza e negligência, sem procurar explicações óbvias (e muito menos reconfortantes) de causa e efeito. Uma opção valorizada por Masami Nagasawa, num desempenho implosivo e certeiro, e pelo estreante Daiken Okudaira, também muito bom a traduzir a vulnerabilidade do filho na adolescência. Não chegará para que "LAÇO MATERNO" atinja o patamar dramático e formal de "Ninguém Sabe" (2004), do conterrâneo Hirokazu Koreeda, mas é um descendente a ter em conta dessa crónica familiar memorável.

3/5