Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Velocidade mais furiosa

"THE DAY IS MY ENEMY" compensa a falta de ideias com uma overdose de atitude. O sexto álbum dos PRODIGY aponta diretamente para os palcos, cenário natural dos britânicos, e traz mais de uma dezena de cartuchos prontos a explodir.

 

prodigy5

 

No caso dos Prodigy não há mesmo amor como os três primeiros - a influentíssima trindade "Experience" (1992), "Music for the Jilted Generation" (1994) e "The Fat of the Land" (1997). Um disco como "THE DAY IS MY ENEMY" não vem mudar muito as coisas. Antes pelo contrário: este é o mais redundante e menos imaginativo da banda de "Firestarter", continuação natural do já longínquo "Invaders Must Die" (2009) com a agravante de não ter muito para lhe acrescentar - nem à discografia de um grupo que chegou ao auge há duas décadas.

Depois do aplauso crítico e popular em finais dos anos 1990, a distinguir aqui um dos exemplos máximos da aliança entre rock e música de dança, o regresso tímido de "Always Outnumbered, Never Outgunned" (2004) é hoje um episódio quase esquecido, apesar de ter registado uma bem interessante comunhão entre Liam Howlett e colaboradores como Juliette Lewis ou Liam Gallagher. Mas os Prodigy desse álbum atípico foram-no só em nome, uma vez que Keith Flint e Maxim Reality, os principais rostos da banda, só voltariam no seguinte, já com música para a geração milénio - e a conseguir uma adesão surpreendente desse novo público.

"THE DAY IS MY ENEMY" vem reforçar os hiatos longos entre os últimos discos e a atenção cada vez maior dada às digressões. Foi, aliás, entre os palcos que a banda desenvolveu as novas canções, descartando algumas já apresentadas pelo caminho (como "A.W.O.L." ou "Dogbite", presentes em algumas atuações) e deixando também para trás os primeiros títulos avançados para o álbum ("How to Steal a Jetfighter" e "Rebel Radio", este último repescado para um dos temas).

 

prodigy4

 

Ainda assim, na essência, o plano inicial manteve-se. Os Prodigy prometiam um álbum especialmente violento, furioso e enérgico e um som de banda mais vincado, consolidado pela colaboração de Flint e Maxim na composição, habitualmente apenas a cargo de Howlett. Nesse aspecto, não defraudam as expectativas, com uma agressividade quase ininterrupta ao longo do alinhamento. Tão ininterrupta que, tirando o instrumental sintético "Beyond the Deathray" (a lembrar os momentos mais serenos de uns Nine Inch Nails), "The Day Is My Enemy" resulta numa sucessão de picos de intensidade que rapidamente se torna previsível - tanto pelo ataque sónico familiar como pela estrutura demasiado linear das composições.

Apesar do apelo físico desta amálgama musculada, aglutinadora de rock, hip-hop, industrial, punk ou breakbeat, musicalmente o resultado é mais conservador do que desafiante, por muito que a postura mantenha a rebeldia de há duas décadas. E talvez nem seja legítimo esperar mais de músicos a caminho dos 50 anos que já tiveram uma palavra a dizer na revolução da música electrónica. De qualquer forma, as palavras recentes de Howlett davam a entender que poderíamos esperar mais do que outro disparo de adrenalina eficaz q.b..

 

 
"A música de dança vai suicidar-se, não há criatividade suficiente. Está demasiado dominada pela pop", salientou o mentor da banda numa entrevista recente ao NME. Em conversa com a Q, durante a qual prometeu um grito de revolta no novo álbum, mostrou-se ainda mais contundente: "A música de dança faz-se à base de fórmulas. É do género: 'Aqui está a parte de bateria, aqui está a construção'. Todos esses DJs de treta e os tutoriais de merda no Youtube...".

 
Uma faixa como "Ibiza", colaboração com os conterrâneos Sleaford Mods, reforça a crítica ao culto de DJs elevados a superestrelas, mas falha em oferecer argumentos que tornem a proposta dos Prodigy especialmente preferível - até acaba por ser dos episódios mais desinspirados do disco, exemplo de pirotecnia em piloto automático. Ironicamente, um dos momentos mais certeiros nasce de uma parceria com um nome recente da música de dança, o também britânico Flux Pavilion, na frenética "Rhythm Bomb", a juntar dubstep à mistura.

 

Já um single como "Nasty" sugere que incluir Keith Flint na equipa de compositores talvez não tenha sido grande ideia. Resulta em pouco mais do que uma réplica de "Breathe" com quase duas décadas de atraso, num cartão de visita pouco motivador. "Rok-Weiler" e "Wall of Death" também contam com os seus créditos na escrita e voltam a soar a uma caricatura dos Prodigy, mesmo que a segunda não resulte mal como fecho bombástico do alinhamento. Réplica por réplica, antes "Destroy", que lembra muito "Smack My Bitch Up" mas consegue ser mais ágil na gestão de ritmos e ambientes.

 

 
Por outro lado, Maxim revela-se promissor ao coassinar "Roadblox" (aceleração cinemática também com travo a "The Fat of the Land"), "Get Your Fight On" (espécie de sequela válida de "Take Me to the Hospital", nem falta o acesso 8-bit) e "Medicine" (com um dos compassos mais contagiantes do alinhamento e marcada por influências orientais, sopros incluídos).

A abrir o disco, a faixa título convida Martina Topley-Bird (antiga colaboradora de Tricky) e inspira-se numa canção de Cole Porter, "All Through the Night", à qual foi buscar a letra ("The day is my enemy/ The night my friend", confissão/máxima repetida ao lado de rodopios de electrónica maximal). Não é um tema especialmente apropriado para audições domésticas, embora prometa tornar-se gigante num concerto. Esse potencial também se pressente em "Wild Frontier", single abrilhantado por gritos de macacos depois do refrão, o tipo de pormenor delirante que o álbum não oferece tanto como alguns dos antecessores.  

Demasiado longo e homogéneo, "The Day Is My Enemy" é talvez o disco menos imprescindível dos Prodigy, mas ainda deixa um atestado de potência capaz de fazer sombra à maioria da geração EDM ou às supostas estrelas nu rave dos dias de "Invaders Must Die" (por onde andam hoje uns Hadouken!, Does It Offend You, Yeah? ou Shitdisco?). E se o encararmos como o aquecimento para mais uma digressão, cumpre bem o seu propósito, até porque é quase certo que os Prodigy fazem muito mais sentido ao vivo. É esperar por 10 de julho para tirar as dúvidas no NOS Alive, em Lisboa.

 

 

Um clássico que continua incendiário

 

Estávamos em 1996. Um Keith Flint demente, a mudar para sempre a imagem dos Prodigy, acendia o rastilho para "Firestarter", canção e videoclip (praticamente indissociáveis), e para o disco que a acolheu, editado no ano seguinte.


"The Fat of the Land", o aguardado terceiro álbum do quarteto britânico, permitiu à banda dar o salto que os anteriores já sugeriam e arranhou, com uma garra ao alcance de poucos, o zeitgeist musical de uma geração não propriamente pirómana, felizmente, mas que ainda assim aceitou doses generosas de adrenalina fim de milénio. 15 anos depois, o disco foi reeditado e aproveitei a ocasião para voltar a ele - e à época que o viu nascer - neste artigo.

 

Música para uma nova geração

 

Meia hora de atraso e um alinhamento pouco surpreendente não impediram que o concerto dos Prodigy, ontem no Pavilhão Atlântico, tenha sido dos mais intensos e imponentes dos últimos tempos.

 

Os anos não parecem ter passado por Keith Flint e Maxim Reality, mais enérgicos do que nunca como agitadores de um público maioritariamente jovem - que não encheu o recinto mas também não foi preciso. Opinião mais alargada sobre a actuação aqui.

 

 

 

Vídeos via andr3n

 

Para acabar de vez com o Atlântico

 

Os Prodigy assinaram, em Julho, um dos concertos mais memoráveis do Optimus Alive!09. Agora o trio britânico regressa a Lisboa, desta vez ao Pavilhão Atlântico, para um concerto cuja expectativa está assim num patamar demasiado elevado.

 

"Invaders Must Die", o quarto e novo disco da banda de Liam Howlett, Keith Flint e Maxim Reality, é ainda a desculpa para a passagem pelos palcos - e uma desculpa que resulta particularmente bem ao vivo. A explosão serve-se mais logo, a partir das 22 horas.

 

 

The Prodigy - "Take  Me to the Hospital"

 

Eles vivem!

The Prodigy no Alive!09. Foto de Catarina Osório

 

O segundo dia do Optimus Alive!09 contou com alguns nomes habitualmente associados à nu rave - Late of the Pier, Hadouken!, Does It Offend You, Yeah? -, e embora todos se tenham estreado por cá com concertos no mínimo eficazes, nenhum destronou o dos veteranos Prodigy.

 

O senhores de "Firestarter" protagonizaram uma das melhores actuações do festival lisboeta (senão mesmo a melhor), embora a intensidade dos Crystal Castles tenha oferecido concorrência forte.

 

Lykke Li, Klaxons, Placebo, Fischerspooner, Linda Martini, The Pragmatic ou DJ Kitten também justificaram a passagem pelo Passeio Marítimo de Algés, e só se lamenta que a existência de concertos em simultâneo em três palcos obrigue a deixar alguns nomes de fora (fica para a próxima, Ting Tings).

 

Para ler uma opinião mais alargada sobre os concertos é só clicar aqui.

 

E para conhecer alguns momentos da história dos Prodigy ou ver a entrevista com o guitarrista dos Klaxons basta espreitar estes vídeos:

 

 

The Prodigy em 4 minutos

 

 

Entrevista a Simon Taylor-Davis, dos Klaxons