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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Filmes dos 00s (10): "Podes Contar Comigo"

 

Filme: "Podes Contar Comigo", 2000

Realizador: Kenneth Lonergan

 

Uma história simples. É este o motor da primeira (e única) longa-metragem de Kenneth Lonergan, drama familiar contido e sóbrio ancorado na relação de dois irmãos: ela interpretada por Laura Linney, ele por Mark Ruffalo.

 

A dupla protagonista é, aliás, uma daquelas escolhas de casting perfeitas e insubstituíveis, com uma química que poucos filmes podem orgulhar-se de oferecer (à qual se junta o pequeno Rory Culkin, noutra interpretação que merece todos os elogios).

 

Decorrido numa pequena localidade norte-americana, cujo ambiente bucólico reforça o tom intimista, "Podes Contar Comigo" é um exemplo do cinema independente no seu melhor, conseguindo ser comovente mas mantendo-se sempre a milhas do dramalhão funguento. Um pequeno grande filme que, sem trazer nada de novo, mostra que muitas vezes também não é preciso inventar nada.

 

 

Discos dos 00s (10): "Velocifero"

 

Álbum: "Velocifero", 2008

Artista: Ladytron

 

O problema de "Velocifero" é apenas um: o disco anterior. "Witching Hour" (2005) atirou os Ladytron para um patamar de excelência que o seu sucessor nem sempre consegue atingir, mesmo que raramente se aproxime da mediania.

 

Mas quando acerta em cheio - e isso ainda acontece em vários momentos -, volta a mostrar que o quarteto de Liverpool é incomparável numa amálgava com o melhor da synth pop, do shoegaze ou de ambientes góticos e industriais.

 

Ao longo da década passada mais ninguém fez pop electrónica assim, e mesmo fora desses domínios há poucas bandas que se tenham mostrado tão consistentes ao longo de quatro álbuns. E "Velocifero" é facilmente um dos mais sedutores.

 

Mais sobre o disco aqui e abaixo a entrevista a um dos elementos do grupo, Reuben Wu:

 

 

Canções dos 00s (13): "Crystal"

 

Canção: "Crystal"

Artista: New Order

Álbum: "Get Ready", 2001

 

Numa década em que serviram de inspiração para muitas novas bandas, os New Order não chegaram a destronar as melhores nos discos, uma vez que nem "Get Ready" nem "Waiting for the Siren's Call" foram muito além da mediania.

 

Em compensação, nas canções deixaram pelo menos um hino à altura dos seus dias mais determinantes. "Crystal" talvez não atinja o estado de graça dos clássicos "Blue Monday" e "True Faith", mas no mínimo estará lá muito perto.

 

Infeccioso desde os primeiros segundos e ainda mais nos seguintes, concentra os melhores quatro minutos e pouco que a banda de Manchester criou em muitos anos. Aqui fica o videoclip, o tal onde os Killers foram buscar a ideia para o nome:

 

 

Filmes dos 00s (9): "Verão Escaldante"

 

Filme: "Verão Escaldante", 1999

Realizador: Spike Lee

 

Ao contrário dos últimos filmes que têm sido revisitados por aqui, este é dos anos 90... mas como só chegou às salas portuguesas no ano 2000 ainda pode entrar, assim como quem não quer a coisa, no balanço do melhor da primeira década do novo milénio.

 

Até porque "Verão Escaldante" não é nada menos do que excelente e francamente superior ao que Spike Lee fez depois - sim, incluindo o muito bom e mais louvado "A Última Hora".

 

Uma série de assassinatos ocorridos em Nova Iorque, em finais dos anos 70, serve de pano de fundo para um ambicioso (e triunfante) retrato de várias culturas e uma época, num daqueles filmes que mantém o brilho após inúmeros revisionamentos.

 

Mais sobre "Verão Escaldante" aqui.

 

 

Discos dos 00s (9): "Only Pain is Real"

 

Álbum: "Only Pain is Real", 2000

Artista: Silence 4

 

O primeiro álbum atirou-os instantaneamente para a popularidade, superior à de qualquer outra nova banda portuguesa de finais de 90, e o segundo reforçou a boa impressão da estreia.

 

Dois anos depois do sucesso tão gigantesco quanto inesperado de "Silence Becomes It", os Silence 4 apresentaram em "Only Pain is Real" um disco mais consistente e elaborado, ainda que nem sempre tão imediato.

 

Novamente introspectivo e sombrio, mas capaz de encontrar uma luz no fundo do túnel - como em "Empty Happy Song" -, o álbum guarda grande parte dos melhores temas do quarteto de Leiria, caso de "Sleepwalking Convict" (marcha lenta e amargurada com um belo desenlace sinfónico), "Ceilings" (rara ocasião onde a voz de Sofia Lisboa retira o protagonismo à de David Fonseca) ou "Search Me Not" (mergulho no abismo com o clímax mais intempestivo do alinhamento). Ou ainda o tema-título do álbum, talvez o melhor single do grupo, que tal como o disco merece ser revisitado depois de um quase esgotamento radiofónico: