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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Duo ele e ela, secção gótica Outono-Inverno

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Estrearam-se no Verão passado, com o álbum "Predator/Prey", e estão de volta já este ano com o sucessor. Formados em Chicago, os GRÜN WASSER têm proposto um encontro entre a darkwave e o industrial que lembra a electrónica áspera e minimalista dos ADULT. ou Boy Harsher, caminho que deverá manter-se em "Not OK With Things", disco agendado para 4 de Outubro.

 

Aposta da Holodeck Records (casa dos também regressados Automelodi), a dupla da vocalista Keely Dowd e do produtor Essej Pollock deixa algumas pistas do que esperar nos dois singles de avanço, entre sussurros nervosos e uma atmosfera de estranheza. "STRANGER'S MOUTH" e "DRIVING" estão longe de ser das canções mais convidativas para dias de Verão, mas são bons cartões de visita para o universo que o duo tem vindo a construir.

 

Os videoclips ajudam a dar forma aos ambientes cinematográficos da música, entre o thriller urbano, o filme de terror e o surrealismo à la David Lynch, cenários apropriados para canções nascidas de uma mistura de beleza e tragédia:

 

 

 

O insustentável peso da pop

Marika Hackman.jpg

 

O novo e terceiro álbum de MARIKA HACKMAN, "Any Human Friend", parece vir a dar prioridade a um rock entre o grunge e a new wave e não tanto à escola folk que dominou as primeiras canções da britânica. O primeiro (e óptimo) single, "I'm Not Where You Are", já tinha apontado nessa direcção, aliás confirmada pela cantautora, e o segundo aprimora a sensibilidade pop num dos temas mais directos desta discografia.

 

A confirmação chegará a 9 de Agosto, data de lançamento do registo, e até lá "THE ONE" vai abrindo o apetite enquanto ganha lugar entre os singles mais orelhudos da temporada, que não destoaria ao lado de canções dos Blondie ou dos Metric.

 

O salto melódico da calma ao caos tem eco num videoclip a apelar à revolta na rotina laboral, com aproximações a uma cena-chave de "O Insustentável Peso do Trabalho" ("Office Space", de 1999), filme de culto de David Slade que também sacrificava uma fotocopiadora a certa altura:

 

 

Há um novo multiverso partilhado (e inclui Portugal)

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De trapezista de circo a um percurso como estilista, LIA PARIS já se movimentou em várias áreas antes de decidir assentar na música (pelo menos por agora). Mas mesmo aí tem um currículo em bandas que passaram pelo samba, rock ou jazz, a denunciar uma artista que não parece interessada em fixar-se num território específico.

 

"MultiVerso" será, então, um título certeiro para o segundo álbum da brasileira, o novo capítulo de um caminho a solo. Editado há poucos dias, o disco tem entre os muitos colaboradores Daniel Hunt, dos Ladytron, que assegura a produção de "A Roda" (um dos pontos altos do alinhamento) depois de uma primeira parceria no EP "Lva Vermelha" (2016).

 

Os títulos de algumas canções, como "Coração Cigano", "Tropical" ou "Andaluz", também dão logo conta da versatilidade de uma música com letras em português e inglês (embora soe mais singular no primeiro caso) que vai poder ser ouvida em palcos nacionais nas próximas semanas. A cantautora paulista subirá ao palco do Musicbox (Lisboa), dia 19; da Casa da Música (Porto), dia 20; do Texas Bar (Leiria), dia 21; e do Anfiteatro Montargil (Ponte de Sor), dia 26.

 

Presença praticamente assegurada em todos esses concertos, "NOITE" é o tema de abertura do álbum e também o novo single, com um embalo sedutor a abrir a porta para um multiverso pessoal mas transmissível:

 

 

Tempo de matar (numa pista de dança)

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A caminho do terceiro álbum, os BODY OF LIGHT regressam, para já, com um single que não se desvia muito dos ambientes dos anteriores. "TIME TO KILL", faixa homónima do disco a editar a 26 de Julho, é um novo encontro entre synth-pop negra e EBM, com ecos de finais dos anos 80 e inícios dos 90 assumidos pela dupla - afinal, a canção e o videoclip pretendem homenagear a club culture underground desses tempos.

 

Qualquer semelhança com clássicos dos Nitzer Ebb, Tears for Fears ou Depeche Mode não será, por isso, pura coincidência, e a dupla norte-americana é convincente na revisitação desse legado, ao oferecer um single com sabor a hino esquecido. Mas ainda eficaz, sobretudo tendo uma pista de dança por perto.

 

Esta aceleração rítmica promete manter-se num álbum que junta heranças do techno, da new wave e do gótico enquanto retrata histórias de amor e obsessão num mundo digital, avançam os irmãos Andrew e Alexander Jarson. Entretanto o duo vai andar na estrada nas primeiras partes dos também regressados Drab Majesty, embora para já apenas do outro lado do Atlântico. O novo vídeo, contudo, já chegou cá:

 

 

Fotografar, partilhar, dançar

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Uma das boas surpresas do ano, o EP "Frénésie" coloca ALICE ET MOI entre os nomes a ter em conta na nova pop francesa depois da estreia em "Filme Moi", de 2017. Singles como "Je suis all about you" já tinham sido uma porta de entrada convidativa para o projecto de Alice Vanor, mas o mais recente, "J'EN AI RIEN À FAIRE", reforça o dinamismo rítmico e a ponte com o electro, em direcção às pistas de dança.

 

Algures entre os Air mais lúdicos e a linguagem dos Yelle, a canção tem, como muitas das anteriores, um videoclip protagonizado e co-realizado pela cantora (ao lado de Randolph Lungela) e olha com ironia para o narcisismo juvenil, não se esquivando à auto-crítica ("Et comme Narcisse quand il se noie/ Je vois Alice rentrer chez moi/ Sur mon mur des photos de moi/ Dans ma chambre une caméra", entoa a parisiense):