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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um regresso para ir arrumando as guitarras

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Dos The Strokes aos Yeah Yeah Yeahs, passando pelos Franz Ferdinand ou Bloc Party, não faltam exemplos de bandas que começaram por ter as guitarras como ferramenta de eleição antes de irem abrindo portas aos sintetizadores.

Tal como estes nomes, os mais recentes MOANING também aceitaram heranças do pós-punk no disco de estreia (homónimo, de 2018) e avançam que o sucessor vai apostar num formato mais electrónico - ainda que não por completo.

"Uneasy Laughter", o segundo longa-duração do trio norte-americano, está agendado para 20 de Março e, embora prometa ser mais atmosférico, mantém o produtor, Alex Newport (At The Drive-In, The Melvins, Bloc Party), em mais uma edição da Sub Pop. 

"EGO", a primeira amostra, confirma a viragem relativa, com um cruzamento de guitarras e sintetizadores que tanto pode lembrar os New Order como os Pixies. E também sugere uma faceta mais gótica, mas não menos orelhuda, num hino contra o narcisismo e a deixar um apelo à empatia. Começa bem, a nova fase dos californianos:

Deus está em toda a parte (até na pista de dança)

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Numa altura em que a pop latina tem tido cada vez mais expressão mundial, o novo single de ELLEN ALLIEN aposta num título que talvez deva alguma coisa a essa tendência. Mas qualquer semelhança de "LA MÚSICA ES DIOS" com reggaeton ou aparentados fica-se mesmo por aí, já que apesar da repetição insistente dessa frase em espanhol, o resultado não se afasta de um techno habitualmente associado à DJ e produtora alemã.

A canção é o tema principal de um novo EP, homónimo, um dos primeiros lançamentos da UFO Inc., editora criada por ALLIEN no início de 2019. Apesar de já ter a seu cargo outra etiqueta, a influente BPitch Control, a berlinense dedica a mais recente a música de dança especialmente crua, agressiva e hipnótica, características que esta edição mantém nas três faixas: além do single de apresentação, há uma mistura alternativa, atmosférica q.b., e o lado B "Junge Sein".

O videoclip, protagonizado pela própria, ilustra a energia cinética da música com saturações cromáticas e movimentos de dança à medida, algures entre uma ode e um mantra de mais de sete minutos  de duração - e muito na linha do single anterior, o efervescente "Free Society":

Alice do outro lado do sonho

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Ao contrário do que o título possa dar a entender, "EVERYBODY HURTS" não é uma versão da canção homónima dos R.E.M.. O novo single de ALICE BOMAN até se inspira, aliás, noutro clássico: "Time After Time", de Cyndi Lauper, que a cantautora sueca destaca como um tema especialmente "caloroso e reconfortante", qualidades que procurou manter num dos avanços para o seu álbum de estreia.

Com uma letra a abordar a experiência da rejeição sem mergulhar num cenário depressivo, é uma bela porta de entrada para o universo frágil e intimista de uma voz já ouvida em dois EPs ("Skisser", de 2013, e "EP II", de 2014) e a caminho do seu primeiro longa-duração. "Dream On" chega esta sexta-feira, 17 de Janeiro, e resulta de uma colaboração com Patrik Berger, produtor cujo currículo inclui canções de Robyn, Charli XCX, Icona Pop ou Santigold. A música de Boman, no entanto, estará mais próxima de nomes como Lana del Rey, Susanne Sundfør e da faceta mais complativa dos Goldfrapp ou da conterrânea Lykke Li.

Nascido de um período de recolhimento no interior sueco, o disco mantém-se entre a folk e a dream pop e acolhe inspirações que também passam pelo cinema: "Moonlight", "Disponível Para Amar" ou "Paris, Texas" são alguns dos que têm um efeito imersivo que a cantora quis criar no alinhamento. Tendo em conta o novo single e outras canções já reveladas, como "Wish We Had More Time" ou "Don't Forget About Me", terá sido bem sucedida.

Do Canadá ao Luxemburgo, dos Pond aos Hot Chip

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Sem novidades desde 2017, ano da edição de "Bird Brains EP", os HOLY FUCK têm regresso aos discos marcado já para 17 de Janeiro. "Deleter", o quinto álbum dos canadianos, é o sucessor de "Congrats" (2016) e faz esperar mais um concentrado enérgico entre krautrock, noise, electro, house ou acessos industriais.

Desta vez, essa diluição de fronteiras surge especialmente inspirada por alguma música de dança de inícios dos anos 90, sobretudo no single mais recente, "FREE GLOSS", que o grupo diz ter partido da exploração do contraste entre o humano e o electrónico. Colaboração com Nicholas Allbrook, vocalista dos Pond, deixa mais um crescendo de euforia que, mesmo sem estar ao nível do melhor do quarteto, tem potencial para ganhar outros voos ao vivo.

Foi nos palcos, aliás, que nasceu "LUXE", a outra faixa já conhecida de "Deleter". O que começou como uma brincadeira num encore de um concerto no Luxemburgo (homenageado no título da canção) acabou por ir abrindo pistas para o novo disco, ganhando uma nova versão com a voz de Alexis Taylor, dos Hot Chip (banda com que os HOLY FUCK andaram na estrada).

Outro cúmplice insuspeito, Kieran Hebden (AKA Four Tet) contou-se entre os adeptos iniciais da viagem psicadélica e propulsiva, tendo aconselhado a banda a seguir por esta direcção no alinhamento do álbum. E "Deleter" bem podia passar por um palco português este ano, até porque o grupo vai iniciar uma digressão europeia em Abril. Até lá, os videoclips dos singles vão dando embalo ao compasso de espera: