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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

No quarto de Irène

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Apesar de contar com uma licenciatura em Belas Artes e de ter considerado um percurso como fotógrafa, IRÈNE DRÉSEL acabou por escolher a música como ocupação prioritária, muito por culpa de uma paixão pelo techno que mantém desde o final da adolescência.

Não admira, por isso, que tenha sido a música de dança a motivar as primeiras composições da artista francesa, nos EPs "Rita" (2017) e "Icône" (2018), às quais se juntaram, este ano, as do álbum "Hyper Cristal". O alinhamento mais longo desse novo registo permite agora que as suas faixas, quase sempre instrumentais, sejam as mais ambiciosas e versáteis até aqui, partindo do techno dos primeiros dias rumo ao electro e a alguma IDM, entre a pulsão dançável e um experimentalismo enigmático.

A compositora e produtora confessa estar particularmente interessada no apelo melódico e físico da música de dança, entregando-se ao seu lado mais sensual e hipnótico, na linha de outros artistas que a desafiam: de James Holden a Nathan Fake, passando pelas conterrâneas Chloé ou Mathilde Fernandez.

O novo single, "CHAMBRE 2", sucessor de "Victoire", é uma porta de entrada intrigante para o seu universo, ao juntar um dos episódios mais imediatos do disco a um videoclip criado pela própria ao longo dos últimos meses - dos desenhos e ilustrações à edição. Tal como a canção, inspira-se no quarto de um hotel da Normandia, que se transforma aqui no cenário de uma trip de cores garridas e ambientes oníricos. Vale a pena entrar e partilhar a experiência:

De olhos bem fechados (mas com os ouvidos bem abertos)

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O sucessor de "Sleepwalking" (2018) vai continuando a ganhar forma. Do quarto álbum de JONATHAN BREE, ainda sem título anunciado e com edição prevista para 2020, já era conhecido o primeiro single, "Waiting on the Moment", que se mantinha fiel à pop outonal do neo-zelandês. E essa atmosfera mantém-se no segundo avanço do disco, "COVER YOUR EYES", mais um tema a prometer um dos bons regressos do próximo ano.

Entre cordas, teclados e percussão, oferece um cruzamento inspirado de ritmo e melancolia, a assegurar que o ex-mentor dos The Brunettes é um cantautor a ter em conta. Enquanto termina a digressão norte-americana, BREE já divulgou algumas datas de apresentação do próximo disco na Europa, em Maio e Junho de 2020, que não incluem Portugal - onde actuou há uns meses. Mas por agora, fica a actuação do novo videoclip, ao lado da sua banda:

O destruidor melancólico

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O sucessor de "Joyland" (2014) e "TRST" (2012) pode finalmente ser ouvido na íntegra. Depois de ter editado metade do seu terceiro disco em Abril, TR/ST disponibilizou este mês "The Destroyer - 2", a segunda parte de um álbum duplo, mais uma vez composta por oito faixas.

Conforme Robert Alfons já tinha anunciado, o novo conjunto de canções é mais melancólico, introspectivo e atmosférico do que "The Destroyer - 1", e o único capítulo da discografia do canadiano com descargas de energia cinética relativamente comedidas. Talvez também seja, por isso, o menos imediato, o que não é necessariamente mau - até porque o facto de ser editado em separado, e não há uns meses, ajuda a que possa ser escutado com outra atenção. 

O primeiro single, no entanto, nem destoaria nos registos anteriores, ao propor mais um rebuçado (com sabor facilmente identificável) entre a synth-pop e a darkwave. "IRIS" já tinha aberto caminho para "The Destroyer - 2" em Junho, mas ganha um novo embalo com o videoclip, que chegou esta semana - sobretudo porque nem a música nem as imagens têm muito de veraneante, admita-se:

A dança tem de continuar (mesmo que não seja com rockuduro)

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"Enza", o quarto álbum dos THROES + THE SHINE, leva mais longe a aproximação à electrónica que o anterior "Wanga" (2016) já tinha vincado. Por muito que o rockuduro tenha ajudado a moldar o ADN da música do trio luso-angolano, estas canções procuram horizontes cada vez mais vastos  tanto nos discos como nos concertos - caso do que assinalou a apresentação do novo registo no B.Leza, em Lisboa, uma das grandes memórias de palco do ano.

Depois de "Balança" e "Musseque", "SILVER & GOLD" foi escolhido como single e é dos mais atípicos do grupo de Igor Domingues, Marco Castro e Mob Dedaldino, afastando-se da overdose de energia habitual rumo a uma contenção que também lhe assenta bem. Mas o resultado não deixa de ser dançável, como o videoclip trata de atestar em ambiente de celebração nocturna - agora mais harmoniosa do que explosiva:

Spice Girls ou Spice Drags?

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A Sporty Spice arrumou os ténis e tirou os sapatos de salto alto do armário. Talvez não definitivamente, mas pelo menos no seu novo single, cujo título diz logo ao que vem.

"HIGH HEELS" mostra que, apesar de MELANIE C se ter reunido com as Spice Girls para uma digressão este ano, sentiu-se mais inspirada para as próximas aventuras a solo pela colaboração com o colectivo londrino LGBTQ+ Sink The Pink, com o qual também andou na estrada nos últimos tempos - nas festas Pride de Berlim, Nova Iorque, Madrid ou São Paulo, por exemplo.

É a própria que o admite, ao apresentar uma canção que partiu do ambiente enérgico e inclusivo que diz ter encontrado nos eventos do grupo de drag queens. O tema marca também o início da preparação do seu próximo álbum, já o oitavo, segundo contou à NYLON. Sem data de edição prevista, o sucessor de "Version of Me" (2016) deverá expandir a faceta electrónica deste primeiro avanço, um dos mais dançáveis e contagiantes do seu percurso - e que até está mais no comprimento de onda de uma Robyn do que do seu registo habitual.

Descrito pela britânica como um single tão frívolo como celebratório, "HIGH HEELS" é uma ode à auto-aceitação e à libertação pela entrega à dança  ("You gotta love yourself/ Above anybody else"), conceito que o videoclip desenvolve ao levar as coreografias dos Sink The Pink a um salão de beleza. "Drag up your life"?