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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

O homem do sul

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Novo álbum de JONATHAN BREE à vista? Talvez, mas para já "After the Curtains Close" (2000), o quarto longa-duração do neozelandês, ainda não tem sucessor anunciado. O que chegou entretanto foi um novo single, "YOU ARE THE MAN", o primeiro inédito desde essa colheita. E parece apontar um maior interesse pelos sintetizadores sem deixar de lado as cordas que ajudaram a distinguir esta pop de câmara, aqui mais uma vez conduzida por uma voz de barítono num registo sussurado - e a debruçar-se sobre uma história de ambição e sucesso no masculino.

O sentido cinematográfico também não se perdeu, nem a aura teatral das actuações dos videoclips, muito em linha com o que o ex-elemento dos The Brunettes costuma apresentar ao vivo. Enquanto não voltamos a vê-lo por palcos portugueses  - já passou, por exemplo, pelo do Musicbox Lisboa, mas a actual digressão europeia não inclui datas por cá -, podemos atestar a coolness da sua banda (mascarada, como sempre, já desde tempos pré-COVID-19) e a euforia de um público adolescente no novo vídeo:

Uma estreia com futuro (e passado)

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Um dos discos da semana continua a aventura a solo de uma voz que começou por se fazer ouvir ao lado das australianas Little May. Cantora, artista visual e designer, ANNIE HAMILTON edita esta sexta-feira, 20 de Maio, "The Future Is Here But It Feels Kinda Like the Past", álbum sucessor do EP de estreia homónimo, lançado em 2020.

Inspirado pela passagem do tempo, condensa reflexões, inquietações e descobertas numa catarse dos últimos dois anos, com o alinhamento a nascer em simultâneo com o início da pandemia. Desse mergulho interior prolongado (e em parte forçado) a partir da sua casa, em Sydney, ANNIE HAMILTON moldou uma dream pop que soa a evolução natural das pistas deixadas nos seus primeiros temas. E em alguns casos mostra-se mais confiante, com os dois novos singles a destacarem-se como os melhores argumentos para a entrada neste universo.

"ALL THE DOORS INSIDE MY HOME ARE SLAMMING INTO ONE" e sobretudo "AGAIN" reforçam a atenção às texturas e ambientes etéreos sem descurar a melodia, defendidas por uma voz cristalina que tanto lembra os saudosos Howling Bells como a faceta onírica dos mais recentes Wolf Alice. Canções de (des)amor que se debatem entre o refúgio na solidão e o risco da comunhão, deixam sinais promissores para um álbum a solo mas não criado de forma solitária: "The Future Is Here but It Feels Kinda Like the Past" foi co-produzido com Pete Covington e Jake Webb (dos Methyl Ethel) e traz participações de Jenny McCullagh e Rosie Fitzgerald (I Know Leopard), Matt Mason (DMA's) e Luke Davison (The Preatures).

Viver como um homem

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Depois de terem participado na edição deste ano do Festival da Canção com "Povo Pequenino", um dos melhores temas a concurso, os FADO BICHA desviam atenções para o álbum de estreia. E já não falta muito para o podemos ouvir: "Ocupação" ficará disponível nas plataformas digitais a partir de 3 de Junho e tem produção de Luís Clara Gomes (ou seja, Moullinex).

Com o anúncio do lançamento, chegou também o primeiro single, "CRÓNICA DO MAXO DISCRETO", que estará longe de ser uma novidade para quem segue mais de perto o projecto de Lila Fadista e João Caçador. A canção marca presença nos concertos da dupla desde 2017 e parte da letra e melodia inspira-se no clássico "Nem Às Paredes Confesso", fado já entoado por Amália, Max ou Roberto Carlos. A versão gravada, no entanto, aproxima-se do universo de António Variações, influência que também já era evidente em "Povo Pequenino" e que se expressa através de um flirt garrido entre guitarras e sintetizadores (que não esconde a mão de Moullinex).

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Relato de uma vida dupla atormentada pelo desejo, o tema carrega no humor para disparar farpas à hipocrisia e à homofobia internalizada. O videoclip, realizado por Marcelo Pereira e Pedro Maia, convida o comediante Hugo van der Ding para encarnar o malogrado protagonista e narrador, acompanhando-o em noites sigilosas à beira do Tejo com uma estética queer inspirada em figuras como Divine ou Klaus (também não está distante de alguns retratos de uns Soft Cell nos anos 80). E tanto a música como as imagens fazem esperar um dos discos nacionais com mais fulgor e personalidade deste Verão, sem meias palavras ou gestos: