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Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Tempo de renascer

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Desde o já distante "Kidsticks" (2016) que não há grandes novidades de BETH ORTON, o que não é assim tão estranho quando a britânica conta apenas seis álbuns em quase 30 anos de carreira (o primeiro, "Superpinkymandy", é de 1993). E o facto de se ter tornado uma voz cada vez mais rara vem aumentar a curiosidade em torno do regresso aos discos, que acontece finalmente esta semana: "WEATHER ALIVE", o sétimo longa-duração, chega na sexta-feira, 23 de Setembro.

Se o registo antecessor retomou a vertente electrónica presente nos seus primeiros álbuns e nas colaborações memoráveis com os Chemical Brothers ou William Orbit (com quem voltou a trabalhar no recente "The Painter"), em boa parte devido à produção de Andrew Hung (metade dos Fuck Buttons), no novo estreia-se como produtora mas não abdica de companhias de peso.

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A borbulhante cena jazzística britânica dos últimos anos parece ter sido uma inspiração, a julgar por alguns dos nomes convocados, do saxofonista Alabaster dePlume a Tom Herbert (baixista dos The Invisible), passando por Tom Skinner (baterista dos Sons of Kemet e The Smile).

O multi-instrumentista norte-americano Shahzad Ismaily também faz parte dos créditos e ajuda a reforçar a aproximação ao jazz de canções que partem da folk bucólica habitualmente associada a ORTON. Ou pelo menos tem sido assim em quase todos os temas de avanço, da contemplativa faixa-título a "FOREVER YOUNG" (a maior pérola deste regresso até agora) e "FRIDAY NIGHT". A excepção fica a cargo de "FRACTALS", dominada por uma maior agitação rítmica (ainda assim, longe de efusiva) e a sugerir uma mudança de território mais pronunciada num álbum descrito pela autora como uma exploração sensorial nascida do reencontro com o mundo à sua volta.