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gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

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Tudo maus rapazes

A primeira temporada de "THE BOYS" foi das melhores apostas recentes da Amazon Prime Video e a segunda, estreada este mês, sugere que ainda há muito a explorar nesta visão distorcida dos códigos dos super-heróis. Os três episódios iniciais são um convite tentador ao binge-watching.

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A adaptação da BD de culto criada por Garth Ennis e Darick Robertson regressou na passada sexta-feira, 4 de Setembro, para um segundo ano que traz mais oito episódios a uma saga que não vai ficar por aqui. A terceira temporada de "THE BOYS" já foi entretanto confirmada e percebe-se porquê: além de ter sido muito bem acolhida tanto pela crítica como por muitos fãs, a série desenvolvida por Eric Kripke ("Supernatural", "Revolution", "Timeless") apresenta um universo singular, garrido e aliciante ao qual não faltam possibilidades narrativas. E os novos desdobramentos desta história - para já, estrearam apenas os três primeiros episódios - parecem ter (ainda) mais aproximações às convulsões do mundo real do que os primeiros, com o argumento a atirar-se tanto aos ideais de representatividade (seja feminina ou de minorias étnicas) que têm marcado o pequeno e grande ecrã nos últimos anos como a jogos políticos e mediáticos em torno de grandes instituições de propósitos aparentemente nobres (embora com uma agenda sinistra, nacionalismo e terrorismo incluídos). 

Nesta visão céptica sobre um mundo fascinado por vigilantes tornados celebridades, o espectáculo tem de continuar e vale tudo até tirar olhos... ou, para já, ir explodindo cabeças. O deleite gore e outros acessos de violência gráfica continuam tão presentes como na primeira temporada, mas "THE BOYS" até é mais intrigante quando não quer ser "in your face". O terceiro episódio acaba por ser o mais conseguido, ao obrigar o espectador a reconsiderar as suas simpatias face a algumas personagens à medida que a linha entre heróis, anti-heróis e vilões se torna cada vez mais ténue - e a distância entre imagem pública e círculo privado se vai alargando.

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Não que a personalidade sociopata de Homelander seja amenizada - e Antony Starr mantém-se perfeito neste Super-Homem com aspirações divinas e tirânicas -, mas a entrada em cena do novo CEO da super-organização Vought International (Giancarlo Esposito a substituir com garra e classe a saudosa Elizabeth Shue) e sobretudo de uma nova super-heroína, Stormfront (Aya Cash destravada numa entrada em grande, e com algumas das tiradas mais incisivas) altera substancialmente a dinâmica deste regresso. 

O humor negro e delirante, outra das pedras de toque da saga, mantém-se indissociável da jornada pessoal de The Deep, um Aquaman de terceira categoria em busca de redenção. E a comédia física ganha outros contornos quando Patton Oswalt empresta a voz às sequências mais absurdas desse arco (e de toda a série) até agora, capazes de competir com as situações extremas de "Deadpool". A reforçar a faceta paródica estão as muitas piscadelas de olho à cultura pop, caldeirão que inclui mais do que a mitologia dos super-heróis convocada à partida - Pipi das Meias Altas, Billy Joel ou Fassbinder também são para aqui chamados sem que as alusões pareçam gratuitas. O que talvez já nem seja assim tão inesperado quando um dos diálogos mais memoráveis da primeira temporada era uma ode às Spice Girls...

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