Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

gonn1000

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Muitos discos, alguns filmes, séries e livros de vez em quando, concertos quando sobra tempo

Um álbum nascido de noites de êxtase

Tiga_Hudson_Mohawke.jpg

Noctívagos inveterados, TIGA e HUDSON MOHAWKE juntaram-se para homenagear noites longas e hedonistas em "L'ECSTASY", álbum de estreia da sua aventura colaborativa LOVE MINUS ZERO.

Depois do EP "LMZ2023", editado em Maio, dois nomes de proa da música de dança dos últimos anos mostram esta semana o resultado de uma ideia que começou a ganhar forma em Los Angeles, em 2019. O longa-duração de 15 faixas chega na próxima sexta-feira, 1 de Dezembro, já tem apresentação garantida em Portugal no Sónar Lisboa, em Março de 2024, e parte do conceito de "romance hardcore", um estado "no qual as fronteiras entre euforia, melancolia e a força bruta da amizade se desintegram por completo", descreve a dupla.

ecstasy.jpg

Inspirado em madrugadas vividas nas pistas até ao amanhecer, o disco foi antecedido por singles que não escondem essas memórias de raves nem da influência de alguma electrónica da alvorada dos anos 90 (e não só). Do techno à acid house, do electro ao trance ou Hi-NRG, as amostras iniciais recrutaram convidados como o rapper Channel Tres (em "Feel The Rush", exemplo de coolness sincopada), a veterana Elisabeth Troy, revelada nos dias da febre breakbeat (na tão retro como pujante "Ascending Into The Clouds"), ou Jesse Boykins III, vindo da soul e do R&B (em "Silence of Love", algures entre Tensnake e Hercules & Love Affair).

Embora estes temas não estejam ao nível do melhor de cada um dos seus autores a solo, também não deixam de ser muito eficazes na missão de pôr o corpo a mexer. E há uma que as supera: "IN ORDER 2", um dos últimos singles e faixa que encerra o álbum em alta. Cantada pelo próprio TIGA, em registo dolente, aborda a procura do amor a más horas entre uma atmosfera crepuscular, vozes distorcidas, sintetizadores hipnóticos e um saxofone que se intromete (e bem) quase no fim. "Esta canção capta o verdadeiro motivo pelo qual começámos a fazer música juntos", assinala o produtor e DJ canadiano nas redes sociais. Venham agora as dez que ainda nos falta ouvir: